A aventura Joaquim Barbosa
Relator do julgamento do mensalão surge de novo como a esperança inviável de recuperar um momento em que o Brasil enfrentou seus problemas
Pela terceira eleição seguida, Joaquim Barbosa (foto) surge como alternativa presidencial. Aliás, o relator do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) surge mais uma vez como a esperança inviável de recuperar um momento em que o Brasil enfim enfrentou seus problemas.
Barbosa deixou o STF em 2014, meses após empurrar o tribunal a condenar políticos relevantes pela primeira vez. Caso não tivesse antecipado a aposentadoria, ele poderia estar no Supremo até hoje, pois tem 71 anos, quatro a menos do que o limite para a permanência na Corte.
Mas, somada a sua dor crônica nas costas, a condenação da cúpula do PT sugou as energias do ministro indicado por Lula e o levou a se recolher mais cedo do que o programado.
Naquela época, apesar da saída de cena do relator do julgamento do mensalão, o Brasil parecia ter dado um passo à frente. Essa impressão foi reforçada pela deflagração da Lava Jato, no mesmo ano em que Barbosa se aposentou. Mas a maior operação de combate à corrupção da história do país acabou desmontada pelo próprio STF que, anos antes, mandara 25 pessoas para a cadeia.
Ali começou a crise que o Supremo enfrenta hoje, agravada pela conduta suspeita de seus ministros.
Aventura
Quando cogitou disputar a presidência pela primeira vez, em 2018, Barbosa tinha o apoio de um partido mais bem estruturado, o PSB. Agora, patrocinada pelo obscuro e inexpressivo Democracia Cristão (DC), sua pré-candidatura parece ainda mais distante do que naquela época.
O ministro aposentado do STF estabeleceu como condições para se candidatar o apoio popular, por óbvio, e “alianças com outras legendas que o permita [ao partido] ter tempo de TV e recursos”, o que não é tão óbvio assim. Até então, a DC tinha como pré-candidato o ex-deputado federal Aldo Rebelo, que admitiu em entrevista ao Papo Antagonista que não tem sequer marqueteiro.
É difícil acreditar que um projeto como esse daria certo, e, por isso mesmo, o fato de o nome de Barbosa surgir a cada ciclo eleitoral dessa forma improvisada e oportunista serve, ao mesmo tempo, para atestar a tragédia recente do Brasil e escancarar o buraco em que sua política se meteu.
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