A armadilha da covardia calculada de Flávio
A economia brasileira precisa voltar aos trilhos, e a falta de convicção da alternativa ao irresponsável Lula é um péssimo sinal
O último suspiro da desesperada campanha de Lula (PT) para permanecer no poder impôs ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) um grande constrangimento. Após dizer, com razão, que o fim da escala de trabalho 6×1 era uma medida irresponsável e eleitoreira, o candidato à Presidência da República votou a favor da mudança na Constituição, para evitar perda eleitoral.
Flávio justificou a mudança de posição dizendo que rodou o Brasil nas últimas semanas e ouviu da população apoio à redução da jornada de trabalho. Mas ele e Lula sabem que a mudança muito dificilmente terá esse efeito, e, se tiver, será às custas de empregos e negócios que sumirão.
Na sabatina da TV Globo, o filho 01 de Jair Bolsonaro também negou que vá deixar de reajustar o salário mínimo acima da inflação e que pretenda desvincular o percentual de reajuste do mínimo do usado para corrigir o valor das aposentadorias ou eliminar os pisos dos gastos com saúde e educação.
As perguntas sobre esses assuntos foram feitas porque é consenso entre os economistas que essas medidas fazem parte do ajuste fiscal pelo qual o país terá de passar após mais um governo irresponsável de Lula, que acelerou os disparates econômicos ao longo da campanha.
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“Tirar o Lula”
Flávio se limitou a dizer que “o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula” do poder.
Isso não é de todo mentira, e o resultado do primeiro turno deixou isso claro, com sinalizações positivas dos índices e dos agentes econômicos após a alternativa ao petista terminar na frente.
Mas a economia brasileira precisa voltar aos trilhos, e a falta de convicção do provável futuro presidente é um péssimo sinal. No melhor dos cenários para o país, ensaia-se um estelionato eleitoral, que dificultaria o ajuste das contas do governo. No pior, não fará diferença tirar Lula do poder, e a irresponsabilidade fiscal se perpetuará por pelo menos mais quatro anos.
O melhor que Flávio poderia entregar ao Brasil é o que Lula negou: estabilidade econômica. Sem convicção sobre isso – ao contrário, por exemplo, do que fez Javier Milei na Argentina –, ele poderá até conseguir se eleger, mas não terá muito a oferecer ao país.
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