Cargueiro torpedeado por submarino alemão em 1941 estava a 4.700 metros de profundidade e guardava 61 toneladas de barras de prata
Uma operação realizada décadas depois mobilizou robôs no Atlântico Norte e mostrou o desafio de retirar metais preciosos de uma embarcação afundada.
Em fevereiro de 1941, um navio britânico desapareceu no Atlântico Norte depois de ser atingido por um submarino alemão. O SS Gairsoppa ficou a cerca de 4.700 metros de profundidade, com uma valiosa carga de prata. Décadas depois, uma recuperação em alto-mar mostrou o tamanho da operação necessária para alcançar seus porões.
Por que o SS Gairsoppa foi atacado?
O SS Gairsoppa transportava mercadorias da Índia para o Reino Unido durante a Batalha do Atlântico. Com pouco combustível e diante do mau tempo, deixou o comboio SL-64 e seguiu sozinho para Galway, na Irlanda, tornando-se mais vulnerável aos submarinos alemães.
Na madrugada de 17 de fevereiro de 1941, o submarino U-101 acertou o cargueiro. Das 86 pessoas a bordo, 85 morreram; apenas um tripulante sobreviveu. A tragédia ilustra o risco enfrentado por embarcações comerciais que abasteciam os aliados durante a guerra.

Onde o naufrágio foi encontrado?
O casco foi identificado em setembro de 2011 pela Odyssey Marine Exploration, aproximadamente 480 quilômetros da costa da Irlanda. A embarcação repousava em águas internacionais, numa profundidade superior àquela em que se encontra o Titanic.
A equipe cruzou registros históricos com buscas por sonar e imagens de veículos submarinos operados remotamente. Esses aparelhos desceram até os destroços e ajudaram a confirmar a identidade do navio, sem necessidade de mergulhadores humanos a tamanha profundidade.
Os marcos ajudam a situar as etapas da história:
Quantas toneladas de prata foram recuperadas?
Em julho de 2013, a Odyssey comunicou a retirada de 1.574 barras de prata, equivalentes a mais de 61 toneladas. Esse número descreve a segunda grande etapa do resgate, não toda a prata recuperada desde a descoberta.
No ano anterior, os operadores já haviam retirado cerca de 48 toneladas. Somadas, as duas campanhas alcançaram aproximadamente 109 toneladas e 2.792 barras, mais de 99% da prata segurada que constava nos registros do cargueiro.
A diferença entre as remessas esclarece a dimensão dos achados:
Como a prata foi retirada de quase cinco quilômetros de profundidade?
Para alcançar os porões, a equipe trabalhou a partir do navio de apoio Seabed Worker. Veículos remotamente controlados, preparados para até 5 mil metros, manipularam equipamentos especializados e transferiram os lingotes para a superfície.
A profundidade dificultava a iluminação, a movimentação de cargas e o acesso a compartimentos estreitos. Segundo a empresa, parte da prata estava guardada em um espaço especialmente difícil de alcançar; o metal recolhido foi levado a uma instalação segura no Reino Unido.
Quem ficou com o valor do tesouro?
O governo britânico contratou a Odyssey após uma concorrência para recuperar a prata segurada, com acordo firmado em 2010. Pelo contrato, a empresa teria direito a 80% do valor líquido obtido com a carga recuperada.
Esse percentual não significa receber 80% de todo o peso do metal nem de um valor de mercado fixo. O cálculo dependia dos custos de salvamento, enquanto parte da prata governamental mencionada em documentos históricos não havia sido localizada nas campanhas anunciadas.
Leia também: Após 60 anos, gigante dos eletrônicos fecha 567 lojas e demite 34 mil trabalhadores com dívida de quase R$ 12 bilhões
Por que esse resgate entrou para a história?
O resgate do Gairsoppa reuniu pesquisa histórica, navegação, robótica submarina e engenharia para movimentar material pesado a quase cinco quilômetros de profundidade. A operação foi apresentada pela responsável como um recorde de recuperação de metais preciosos naquela época.
Além do valor financeiro, o caso preserva o registro de um navio mercante e de 85 vidas perdidas. A distinção entre a carga estimada, a prata segurada e aquilo que efetivamente voltou à superfície é fundamental para compreender a descoberta sem exageros.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)