“Não sabe do que está falando”, diz Flávio sobre Nunes Marques
Em entrevista ao Washington Post, senador voltou a questionar as eleições e afirmou que ninguém pode descartar fraude com 100% de certeza
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar a lisura das eleições de 2026 e criticou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
Em entrevista ao The Washington Post, publicada neste sábado, 7, o senador disse que o ministro “não sabe do que está falando” ao afirmar que as eleições deste ano ocorreram dentro da normalidade.
“Eu garanto a vocês que ele não sabe do que está falando”, disse Flávio.
O senador afirmou ainda, sem apresentar provas, que ninguém poderia assegurar a ausência de fraude:
“Nem eu, nem vocês, nem ninguém que esteja assistindo, nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pode afirmar com 100% de certeza que não houve fraude.”
Nunes Marques afirmou, em 28 de outubro, que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”.
O ministro, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, também disse que eventuais questionamentos seriam analisados pelos meios legais.
Flávio perdeu a disputa para Lula no segundo turno, em 25 de outubro.
Fuga para os EUA
Na entrevista, Flávio afirmou que um dos motivos para deixar o Brasil foi poder sustentar a tese de fraude sem medo de ser preso.
Ele também disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “está convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena”.
O senador deixou o país dois dias depois da eleição, apesar de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinava a entrega de seus passaportes e o proibia de viajar ao exterior.
Segundo a Polícia Federal, ele cruzou a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular rumo aos Estados Unidos. A corporação investiga as circunstâncias da saída.
Flávio também disse ao jornal que não pretende revelar o trajeto usado para deixar o Brasil.
“Nunca vou falar sobre o caminho que fiz”, afirmou.
Disse ainda precisa regularizar sua situação migratória nos Estados Unidos antes de decidir os próximos passos.
O senador é alvo de duas investigações criminais no STF, uma sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e operações ligadas a plataformas de apostas, e outra sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
O TSE também autorizou, em 5 de novembro, o andamento de três ações de investigação eleitoral contra Flávio. Ele nega irregularidades nos casos em que se manifestou.
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