Justiça do Paraguai decreta prisão preventiva de Santiago Peña
Ex-presidente paraguaio é suspeito de favorecer grupo que controla o Ueno Bank, atingido por uma crise que comprometeu milhões de contas
A Justiça do Paraguai decretou neste sábado, 7, a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña (foto), investigado por suspeita de participação em irregularidades envolvendo o Ueno Bank.
A medida foi determinada pelo juiz Humberto Otazu, após audiência com Peña e seu advogado. Mais cedo, o Ministério Público havia pedido a prisão preventiva e o bloqueio dos bens do ex-presidente.
“O juízo decidiu decretar a prisão preventiva”, afirmou o magistrado.
O ex-presidente cumprirá a medida no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção.
O Ministério Público também pediu a prisão preventiva e o bloqueio de bens do ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo, investigado pelos mesmos crimes.
A apuração envolve suspeitas de favorecimento ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. Peña é acusado de interferir em órgãos públicos e de não garantir a fiscalização adequada da instituição.
O banco administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, inclusive da Previdência paraguaia.
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A queda de Peña
A crise começou na terça-feira, quando o Banco Central interveio no Ueno por problemas de solvência. O colapso afetou cerca de 2,9 milhões de contas em um país de aproximadamente 7 milhões de habitantes. Entre os atingidos estão aposentados, empresas e a própria Conmebol.
Peña foi detido em sua residência na sexta-feira, menos de uma hora depois de o Senado aprovar seu impeachment por 44 votos favoráveis e uma ausência.
Após protestos nas proximidades do imóvel, ele foi transferido para uma unidade militar em Assunção. Manifestantes exigiam que o ex-presidente fosse levado a uma prisão comum.
O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país e prometeu compensar os clientes prejudicados pelo colapso bancário.
O Banco Central informou neste sábado que quase 1,2 milhão de clientes já receberam de volta seus depósitos. A devolução deverá continuar na próxima semana.
Alliana iniciou o mandato com mudanças no gabinete e cobrou rapidez na resposta à crise.
“Não quero ninguém hesitante à frente desta missão. Quero resultados”, afirmou na sexta-feira.
O novo presidente deverá permanecer no cargo até agosto de 2028.
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