Ex-marceneiro de Porto Alegre junta 46 aeronaves militares, de helicóptero do Vietnã a aviões das Malvinas, e promete museu ainda em 2026
Acervo no bairro Humaitá reúne caça F-5 acidentado em 2016, cabine de C-47 da Segunda Guerra e peças compradas em leilões da FAB e da Marinha
O colecionador e restaurador Luciano Schneider reúne 46 aeronaves militares em uma oficina no bairro Humaitá, na Zona Norte de Porto Alegre, e quer abrir o espaço como museu ainda em 2026. A informação foi dada por ele à reportagem do g1 RS e da RBS TV publicada neste domingo (1º).
Segundo o g1, o acervo inclui um helicóptero que voou na Guerra do Vietnã, dois aviões de patrulha que serviram à Argentina na Guerra das Malvinas, um caça F-5 acidentado em 2016 e a cabine de um Douglas C-47 da Segunda Guerra. Os aviões e helicópteros foram comprados em leilões da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha e de outros colecionadores. Ainda não há data marcada para a inauguração.
Quem é o colecionador por trás do museu de aeronaves
Schneider preside a Associação Cultural de Preservação Patrimônio Histórico Militar, de acordo com o g1. Ele conta que a ideia vem da infância, quando via a formação de jatos Xavante passar no céu e prometia a si mesmo que um dia teria um avião.

A trajetória não é de piloto nem de engenheiro. Reportagem da revista Tecnologia & Defesa, de março de 2026, citada pelo site Sociedade Militar, informa que ele trabalhou 32 anos com marcenaria e comprou a primeira aeronave em 2016, um Grumman Tracker, por R$ 9 mil.
Na mesma reportagem de março, a coleção somava cerca de 35 aeronaves. O número de 46 aparece agora na matéria do g1, o que indica que o acervo cresceu ao longo deste ano.
As peças de guerra que formam o acervo
Cada aeronave chegou à oficina por um caminho diferente. As principais citadas pelo g1 são estas.
- Helicóptero H-1H, da família Huey: fabricado nos Estados Unidos e usado na Guerra do Vietnã, ainda guarda marcas de combate na fuselagem, segundo o g1. Schneider o descreve como o “faz tudo” daquele conflito, usado em transporte de tropas, resgate e missões aeromédicas.
- Dois aviões P-95: modelo de patrulha marítima da Embraer, conhecido como Bandeirulha. O colecionador diz ter o histórico das duas unidades até a época em que foram cedidas à Marinha argentina para patrulhar o mar durante a guerra de 1982.
- Caça F-5: o jato sofreu falha no trem de pouso em 5 de julho de 2016, perto da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Os dois tripulantes ejetaram e sobreviveram.
- Cabine de um Douglas C-47: o avião foi usado pelos Estados Unidos para lançar paraquedistas na Segunda Guerra e depois doado à FAB.
A lista de aeronaves da aviação naval argentina mantida na Wikipédia em inglês registra dois P-95 em serviço a partir de 1982, no lugar dos antigos P-2 Neptune. O F-5 em questão é o F-5FM de matrícula FAB 4806. Na época, a FAB informou que a tripulação fazia um voo de treinamento local quando uma falha impediu o pouso seguro, conforme o site Defesa Aérea & Naval.
Um caça cortado e soldado de volta
O F-5 foi arrematado em leilão militar da FAB em agosto de 2024, junto com outro jato da mesma família, segundo a Sociedade Militar. Vendido como sucata aeronáutica, ele não pode voltar a voar.
Para levar o caça por estrada até o Sul, a equipe precisou cortá-lo, relata o g1. “A gente acabou soldando as partes dele e colocando tudo de volta no lugar”, disse Schneider, que compara o trabalho a uma oficina de chapeação e pintura de carros.
O C-47 exigiu ainda mais improviso. Quando foi localizado, o avião já estava sendo triturado, e só a cabine foi salva, com painel, manetes e manche. Em outro caso, um helicóptero chegou sem a frente, as portas e o para-brisa, e as peças foram refeitas com chapa plana moldada à mão.
Enchente de 2024 e o plano de abertura
O projeto já sofreu um revés. Durante a enchente de maio de 2024, o depósito que Schneider mantinha em Eldorado do Sul ficou sob 4,5 metros de água, com perda estimada em R$ 280 mil, segundo a Sociedade Militar com base na Tecnologia & Defesa.
Agora a meta é abrir a oficina de Porto Alegre ao público antes do fim do ano. “As pessoas vão ver de perto uma aeronave que teve sua vida na ativa e hoje é peça de museu”, disse ele ao g1. As aeronaves restauradas servem apenas para exposição.
A troca de gerações na aviação de caça brasileira ajuda a explicar por que jatos como o F-5 começam a ir para museus e coleções. O Antagonista já mostrou o que o Gripen faz que os antigos F-5 não conseguiam e como a Coreia do Sul quer aposentar seus F-5 depois de quase 50 anos de uso.
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