O dia da Terra muda alguns milissegundos e a pista para essa diferença pode estar no movimento do núcleo profundo
Estudo revela como forças gravitacionais entre o núcleo interno e o manto podem alterar a duração do dia terrestre em poucos milissegundos
Um dia terrestre parece durar exatamente 24 horas, mas medições revelam pequenas oscilações que se acumulam ao longo de décadas. Um estudo publicado na revista Nature, em setembro de 2026, identificou a interação gravitacional entre o núcleo interno e o manto como possível principal responsável por variações de alguns milissegundos na duração do dia. A descoberta transforma mudanças quase imperceptíveis em pistas sobre o funcionamento das profundezas do planeta.
Por que a duração do dia muda mesmo sem percebermos?
A Terra completa uma rotação em aproximadamente 24 horas, mas essa velocidade não permanece perfeitamente constante. Ventos atmosféricos, correntes oceânicas, marés e movimentos de materiais no interior do planeta provocam pequenas alterações que instrumentos modernos conseguem detectar.
Em escalas de décadas, algumas oscilações atingem vários milissegundos. Embora essa diferença não seja perceptível na rotina humana, sua medição permite investigar transferências de movimento entre estruturas situadas milhares de quilômetros abaixo da superfície.
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O que o núcleo interno revelou sobre a duração do dia?
Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, descobriram que a influência gravitacional do núcleo interno pode explicar oscilações na rotação terrestre observadas durante várias décadas. O mecanismo envolve movimentos relativos entre uma esfera sólida de ferro, o núcleo externo líquido e o manto rochoso.
A equipe conseguiu reproduzir o comportamento de oscilações com períodos próximos de 60 a 70 anos. Isso sugere que as forças gravitacionais internas desempenham papel mais importante do que algumas explicações anteriores atribuíam exclusivamente às interações eletromagnéticas.
Os resultados destacaram cinco aspectos:
- A duração do dia varia alguns milissegundos ao longo de décadas;
- O núcleo interno apresenta mudanças relativas de rotação;
- O núcleo externo transporta ferro líquido em movimento;
- A gravidade pode transferir momento angular para o manto;
- Modelos reproduziram oscilações observadas entre 1964 e 2019.
O vídeo Earth’s Inner Core Is Spinning Backward, publicado pelo canal NASASpaceNews em julho de 2024, explica as evidências sísmicas de mudanças na rotação do núcleo interno. O material é anterior ao estudo de 2026.
Como a gravidade consegue alterar a rotação do núcleo terrestre?
O núcleo interno não é uma esfera perfeitamente uniforme. Pequenas irregularidades em sua forma interagem gravitacionalmente com regiões de densidade diferente no manto profundo, criando forças que tendem a alinhar essas estruturas.
Quando os movimentos do ferro líquido modificam a orientação relativa do núcleo interno, essa interação produz um torque gravitacional. O resultado é uma troca de momento angular: enquanto determinadas regiões aceleram, outras podem desacelerar ligeiramente, alterando a rotação da superfície.
Como os cientistas identificaram a influência do núcleo interno?
O estudo publicado na revista Nature, em 23 de setembro de 2026, foi conduzido por Huifeng Zhang e Mathieu Dumberry, da Universidade de Alberta. Os pesquisadores combinaram registros de rotação terrestre, observações sísmicas e reconstruções do movimento do núcleo líquido.
As análises consideraram dados entre 1964 e 2019. Antes das comparações, os cientistas removeram contribuições conhecidas da atmosfera, dos oceanos e de processos de longo prazo. Assim, conseguiram investigar especificamente as oscilações atribuídas às interações profundas entre núcleo e manto.

Quais forças controlam o movimento do núcleo terrestre?
O modelo examinou três mecanismos principais. O primeiro envolve forças eletromagnéticas produzidas pela circulação de ferro líquido. O segundo considera pressões exercidas sobre irregularidades na fronteira entre núcleo e manto. O terceiro corresponde à atração gravitacional entre o núcleo interno e estruturas profundas do manto.
Os resultados favoreceram o torque gravitacional como principal responsável pelas variações multidecadais investigadas. As interações eletromagnéticas e topográficas, entretanto, continuam importantes porque resistem e modificam esse movimento, formando um sistema de forças interdependentes.
| Processo físico | Papel na rotação terrestre |
|---|---|
| Torque gravitacional | Principal contribuição proposta para oscilações multidecadais |
| Interação eletromagnética | Transfere forças entre núcleo líquido e estruturas vizinhas |
| Torque topográfico | Resulta da pressão sobre irregularidades profundas |
| Variações observadas | Alguns milissegundos em períodos de décadas |
O que essa descoberta revela sobre o interior da Terra?
As oscilações da rotação oferecem uma maneira indireta de investigar regiões que não podem ser alcançadas por perfurações. O estudo sugere possíveis características do manto profundo, incluindo materiais enriquecidos em ferro e estruturas capazes de influenciar a transmissão de forças gravitacionais.
Entretanto, os resultados dependem da precisão dos modelos sísmicos e das reconstruções de correntes no núcleo externo. A análise concentrou-se principalmente em oscilações de aproximadamente 60 a 70 anos, não em todas as variações diárias. Novas observações poderão testar essas interpretações e revelar como o interior terrestre permanece dinamicamente conectado à superfície.
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