Ondas gigantes apareceram muito acima de um furacão e satélites da NASA registraram a atmosfera vibrando sobre a tempestade
Imagens dos satélites NOAA-21 e Suomi NPP mostram como o furacão Simon provocou perturbações que alcançaram a mesosfera.
O furacão Simon provocou ondas de gravidade atmosféricas que se propagaram muito acima de suas nuvens, chegando à mesosfera. Em 11 de outubro de 2026, um sensor do satélite NOAA-21 registrou arcos dessas perturbações sobre o Pacífico, próximo ao México. Não eram ondas do oceano, mas movimentos do próprio ar.
Como um furacão consegue produzir ondas tão acima das nuvens?
As correntes ascendentes de tempestades intensas deslocam o ar ao redor e geram perturbações que podem viajar verticalmente. Perto da parede do olho de Simon, a condensação do vapor de água liberava calor, alimentando a convecção e o crescimento de enormes nuvens cumulonimbus.
A gravidade atua para restaurar o equilíbrio do ar deslocado, produzindo oscilações que transportam energia e movimento. Essas ondas atmosféricas não são ondas gravitacionais, fenômeno físico associado a alterações do espaço-tempo.

O que os satélites registraram durante a passagem de Simon?
A NASA divulgou duas imagens feitas em momentos diferentes de 11 de outubro. Elas revelam tanto a circulação da tempestade quanto sua influência na atmosfera superior.
- Simon passou perto da costa mexicana como furacão de categoria 4.
- O Suomi NPP fotografou o olho e as nuvens durante a tarde.
- O centro estava a cerca de 50 quilômetros da costa.
- O NOAA-21 detectou arcos atmosféricos na observação noturna.
Por quais camadas as ondas viajaram antes de aparecer?
O movimento começa na região das grandes tempestades e pode atingir altitudes muito superiores. Sua passagem não exige que as próprias nuvens cheguem até lá.
Por que o brilho da atmosfera tornou as ondas visíveis?
Na mesosfera, gases emitem uma luminosidade natural muito fraca, chamada airglow ou brilho atmosférico. Quando ondas de gravidade atravessam essa região, provocam variações de intensidade luminosa que o sensor VIIRS consegue distinguir durante a noite.

O pouco luar naquela observação facilitou o registro: a luz lunar refletida poderia encobrir o sinal mais fraco. Esse brilho ocorre aproximadamente a 85 a 90 quilômetros de altitude; a intensidade das faixas depende das condições do ar, não apenas da força do ciclone. O fenômeno também é estudado pelo experimento AWE, da NASA, que investigou como perturbações vindas de baixo alcançam regiões próximas ao espaço.
O que essas ondas revelam sobre a energia das tempestades?
A observação mostra que os efeitos de um ciclone não ficam restritos ao mar e às nuvens. Ondas atmosféricas podem redistribuir energia em grandes altitudes, embora cada evento tenha condições próprias.
- Levam energia e quantidade de movimento para camadas superiores.
- Podem perder força ao encontrar ventos de grande altitude.
- Em certas condições, contribuem para perturbações na ionosfera.
- Não permitem prever sozinhas a trajetória ou os danos do furacão.
O alcance de um furacão vai muito além de sua cobertura de nuvens
As imagens de Simon permitem observar uma conexão entre a meteorologia perto da superfície e o comportamento da atmosfera superior. O padrão de arcos não representa paredes de água nem significa que a tempestade tenha alcançado fisicamente aquelas altitudes.
Ao acompanhar essas ondas, cientistas podem compreender melhor a transferência de energia entre as camadas atmosféricas. O registro amplia o estudo dos ciclones, mas não substitui medições de vento, chuva e pressão usadas para avaliar seus riscos na superfície.
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