Kim vê com bons olhos voto distrital misto; Novo diz ter sido pego de surpresa
PT e PCdoB resistem à mudança; Motta quer votar PEC ainda este ano, com transição em 2030 e implementação definitiva em 2034
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou a O Antagonista nesta quarta-feira, 28, que vê com “bons olhos” a adoção do voto distrital misto defendida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Já o representante do Novo na Casa, Gilson Marques (SC), disse que o partido foi surpreendido pelo anúncio e ainda não tem posição sobre a proposta.
“Difícil ter posição. Fomos pegos de surpresa. Ficamos sabendo pela imprensa”, afirmou Gilson. Segundo ele, nada havia sido comunicado previamente à legenda e, até o momento, não existe uma minuta ou esboço da mudança a ser analisado.
Kim também ponderou inicialmente que ainda não há um texto conhecido, mas, questionado especificamente sobre o modelo, afirmou que vê o voto distrital misto de forma positiva.
Resistência à esquerda
Entre os partidos da esquerda ouvidos por O Antagonista, a proposta enfrenta maior resistência. Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o PT historicamente defende o voto em lista e é contrário tanto ao sistema distrital puro quanto ao misto. Segundo ela, é “muito difícil” que o partido altere essa posição.
A líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (RJ), também foi taxativa: “Somos contra o voto distrital misto”.
O PV, que integra federação com PT e PCdoB, ainda não fechou posição. O líder da legenda na Câmara, Aliel Machado (PR), disse que é preciso conhecer primeiro o conteúdo da proposta, mas afirmou que o partido tem disposição para participar da discussão e considera necessária uma atualização da legislação eleitoral.
Já o líder da federação Psol-Rede, Tarcísio Motta (PSOL-RJ), afirmou ver com bons olhos o voto em lista, mas alertou que a definição dos distritos e do número de parlamentares eleitos por essa modalidade pode “fortalecer o coronelismo e os esquemas corruptos de compra de votos”. Ele ressaltou que o Psol ainda precisa conhecer os detalhes da proposta antes de definir uma posição.
Proposta de Motta
Hugo Motta anunciou mais cedo que pretende discutir e tentar votar ainda neste ano uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para mudar o sistema utilizado nas eleições proporcionais.
O desenho discutido inicialmente prevê uma transição nas eleições de 2030 e a implementação definitiva do voto distrital misto em 2034. O modelo combina a eleição de parte dos parlamentares por distritos geográficos com o preenchimento de outra parcela das cadeiras a partir da votação em partidos ou listas.
Motta afirmou que as conversas iniciais foram feitas com partidos de centro e que procurará agora as demais legendas da Casa para tentar construir um acordo mais amplo.
Na mesma coletiva, o presidente da Câmara anunciou a criação de um grupo de trabalho com representantes de todos os partidos para elaborar, em até 15 dias, mudanças no Código Eleitoral relacionadas à propaganda eleitoral nas plataformas digitais.
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