Lula acionou modo populismo, mas desgaste limitou reação de petista
Pacote de bondades do presidente da República - de aumento do Bolsa Família a canetas emagracedoras - chegou a mais de R$ 400 bilhões no ano eleitoral
Tentando seu quarto mandato, o presidente Lula apostou no inédito uso da máquina pública para tentar convencer o eleitor a ficar mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.
O pacote eleitoreiro de Lula incluiu desde o cancelamento da taxa das blusinhas, a promessa de que o trabalhador vai trabalhar menos, aumento no valor do Bolsa Família e até a promessa de distribuir medicamentos para emagrecimento pelo SUS.
Na reta final do primeiro turno, Lula ainda encampou uma ofensiva contra as apostas online e chegou a anunciar uma nova fase do programa desenrola.
O movimento coincidiu com o momento em que a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) vinha diminuindo nas pesquisas. O problema para o presidente é que a sucessão de anúncios não se traduziu, até aqui, em crescimento proporcional nas intenções de voto. Nas principais sondagens de setembro, Lula permaneceu próximo do patamar em que já estava no início do mês. As oscilações em favor do petista, via de regra, foram dentro da margem de erro.
No Datafolha, por exemplo, Lula tinha 38% no primeiro turno no começo de setembro. Na pesquisa realizada entre 8 e 10 daquele mês, passou a 39%. Depois, chegou a 40% no levantamento realizado entre 22 e 23 de setembro. Ou seja, uma oscilação de dois pontos percentuais em cerca de três semanas, dentro de uma margem de erro de dois pontos. No mesmo período, Flávio passou de 33% para 36%.
O movimento é mais significativo quando se considera o ponto de partida. Em junho, Lula aparecia com 41% no Datafolha, contra 31% de Flávio. Em julho, eram 40% a 32%; na segunda quinzena de agosto, 39% a 33%. Ou seja: nem o pacote eleitoreiro ajudou Lula a ter um desempenho melhor.
O reajuste do Bolsa Família e mounjauro grátis
A principal cartada de Lula nesse final de primeiro turno foi o reajuste do Bolsa Família. Em 17 de setembro, Lula anunciou aumento de 15,04% no benefício mínimo, que passou de 600 reais para 691 reais. O novo valor começa a ser pago em 19 de outubro, a poucos dias de um eventual segundo turno. O impacto estimado é de 5,8 bilhões de reais ainda em 2026 e 22,7 bilhões de reais anuais em 2027 e 2028.
A estratégia não se limitou à renda. Ainda naquele dia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o governo pretendia disponibilizar canetas emagrecedoras no SUS.
Em 25 de setembro, nove dias antes da eleição, Lula assinou medida provisória proibindo as apostas online no país. A iniciativa representou uma mudança em relação à política adotada pelo próprio governo, que havia regulamentado o setor em 2024. Integrantes do governo apontaram que a medida visava conquistar dois públicos distintos: mulheres e os evangélicos.
Segundo levantamento do Poder 360, o pacote eleitoreiro de Lula chegou a aproximadamente 411 bilhões de reais.
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Comentários (2)
Brincamos muito com a palavra “Venezuelização’ do Brasil, mas agora estamos vendo que isso pode ser mais verdadeiro que imaginamos. Maduro fazia até bonecos dele como super-herói e entregava às crianças pobres no Natal. Não podemos ter isso no Brasil!
ALEXANDRE ISOLA
04.10.2026 06:35Talvez as pessoas estejam comecando a entender a gravidade das acoes do Judiciario para manter esse governo. Isso eh bem pior e tem impactado a ponto de gente que jamais cogitou votar 22 resolva para parar esse processo!