Uma câmera de 300 megapixels acordou no espaço e o telescópio Roman começa a testar o instrumento que vai mapear áreas enormes do céu
Wide Field Instrument e coronógrafo entram em fase de testes enquanto o novo observatório da NASA se prepara para grandes levantamentos cósmicos
Depois de deixar a Terra em 30 de agosto de 2026, o telescópio Roman começou a ativar seus principais instrumentos no espaço. Em setembro, a equipe ligou o Wide Field Instrument, uma câmera infravermelha de 300 megapixels, e avançou nos testes do coronógrafo, preparando o observatório para levantamentos capazes de combinar grande campo de visão com resolução semelhante à do Hubble.
Quando o telescópio Roman começou a ativar seus instrumentos?
O Nancy Grace Roman Space Telescope foi lançado a bordo de um Falcon Heavy e iniciou uma viagem de cerca de três meses em direção à região do ponto de Lagrange L2. Durante esse percurso, engenheiros começaram uma sequência cuidadosamente planejada de verificações dos sistemas científicos e de orientação.
Em 15 de setembro, a NASA informou que o telescópio Roman havia ativado com sucesso o Wide Field Instrument. A etapa não representou o início imediato das observações científicas: primeiro, equipes precisam confirmar temperaturas, comunicação, eletrônica, detectores, foco e estabilidade antes das campanhas de pesquisa.
Como funciona a câmera de 300 megapixels do telescópio Roman?
O Wide Field Instrument, ou WFI, é formado por um mosaico de 18 detectores. Juntos, eles criam uma câmera de aproximadamente 300 milhões de pixels sensível principalmente ao infravermelho próximo, capaz também de realizar espectroscopia sem fenda.
Seu campo de visão alcança aproximadamente 0,281 grau quadrado. Isso permitirá registrar numa única exposição uma área maior que a Lua cheia aparente e aproximadamente 100 vezes superior à coberta por algumas câmeras do Hubble, mantendo resolução angular comparável.
- Matriz formada por 18 detectores;
- Aproximadamente 300 megapixels;
- Campo de visão de 0,281 grau quadrado;
- Imagens principalmente no infravermelho próximo;
- Modos de imagem e espectroscopia;
- Resolução angular semelhante à do Hubble.
Este vídeo da NASA Goddard apresenta especificamente o Wide Field Instrument.
Por que enxergar uma área tão grande do céu faz diferença?
Telescópios com resolução elevada normalmente precisam realizar várias exposições para construir mosaicos de regiões extensas. O Roman foi projetado para observar grandes áreas de uma só vez, aumentando drasticamente a velocidade de levantamentos sem abandonar a capacidade de distinguir objetos relativamente pequenos e distantes.
Essa combinação será utilizada para estudar matéria escura, energia escura, formação de galáxias e sistemas planetários. O observatório também realizará levantamentos repetidos da Via Láctea, permitindo detectar exoplanetas por microlentes gravitacionais e acompanhar objetos cujo brilho ou posição muda com o tempo.
O que já aconteceu com o coronógrafo do Roman?
Enquanto o WFI passava pelas primeiras verificações, o Coronagraph Instrument também foi ativado. Em 22 de setembro de 2026, suas câmeras receberam luz cósmica pela primeira vez depois que a equipe confirmou o funcionamento do sistema de orientação fina e realizou ajustes iniciais de foco.
Segundo a atualização técnica do JPL sobre o coronógrafo, essa primeira imagem foi deliberadamente limitada. O instrumento ainda precisa passar por tarefas progressivamente mais complexas antes de testar plenamente sua capacidade de bloquear o brilho de estrelas e revelar estruturas muito mais fracas ao redor delas.

O telescópio Roman realmente vai substituir o Hubble?
Não. O telescópio Roman foi concebido para complementar outros grandes observatórios. Seu espelho primário possui 2,4 metros de diâmetro, dimensão semelhante à do Hubble, mas sua principal vantagem é observar uma área muito maior do céu em cada apontamento.
A NASA estima que Roman poderá realizar levantamentos até cerca de mil vezes mais rapidamente que o Hubble em determinadas condições, mantendo sensibilidade e resolução infravermelha semelhantes. Isso favorece pesquisas estatísticas com bilhões de estrelas e galáxias, enquanto outros telescópios podem estudar objetos individuais com diferentes capacidades.
O que ainda precisa acontecer antes das grandes pesquisas científicas?
A ativação dos instrumentos é apenas parte do comissionamento. O observatório precisa chegar à sua região operacional, estabilizar condições térmicas, calibrar detectores, testar apontamento e confirmar o desempenho óptico antes que resultados científicos regulares possam ser produzidos.
Se os testes ocorrerem conforme planejado, o Roman começará sua fase científica depois desse processo de preparação. Sua missão primária deverá durar pelo menos cinco anos, período em que levantamentos extensos poderão produzir uma visão panorâmica do Universo com uma combinação de área e detalhe inédita para um observatório espacial desse tipo.
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