Ex-assessor da Casa Branca vê risco de Trump não reconhecer vitória de Lula
Para Nick Zimmerman, a possibilidade existe caso o petista vença a eleição por margem apertada contra Flávio Bolsonaro
Nick Zimmerman, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para Assuntos do Brasil, avalia que Donald Trump pode não reconhecer o resultado da eleição brasileira caso Lula (PT) vença por uma margem apertada.
“Em um cenário no qual o presidente Lula ganha, mas por muito pouco, algo provável, não descarto a possibilidade de o governo Trump não reconhecer o resultado”, afirmou à Folha.
Segundo Zimmerman, um eventual não reconhecimento poderia ser usado por Trump para ampliar a pressão sobre o Brasil.
“Poderia vir a ser um novo instrumento de pressão em 2027. Poderia implicar novas sanções e outras pressões econômicas na relação bilateral a partir do ano que vem”, acrescentou.
Zimmerman considera que a interferência do governo Trump na eleição brasileira não tem precedente recente nos Estados Unidos.
“A postura de Trump de usar mecanismos do poder público e endossar outros candidatos é algo sem precedentes na história recente dos EUA.”
Na avaliação do ex-assessor de Barack Obama, os interesses de Washington incluem minerais críticos, terras raras e maior pressão sobre a presença chinesa no Brasil.
“Querem um acesso maior aos minerais críticos e terras raras que o Brasil tem, como parte de uma estratégia maior de diversificar as fontes desses produtos no mundo inteiro.”
Cenário com Flávio
Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), Zimmerman prevê pressão americana por acordos comerciais e restrições à participação chinesa em setores estratégicos.
“Vão tentar negociar com Flávio limites ao acesso que a China tem neste setor, considerado crucial para o futuro dos EUA.”
O ex-assessor, porém, considera difícil que Washington consiga impor um alinhamento completo.
“O governo americano não tem como mandar as empresas lucrarem menos por não sei quantos anos para ter acesso a um mercado que Washington considera estratégico.”
Para ele, o interesse brasileiro é “não escolher um lado”.
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Interferência estrangeira?
Na última semana, um grupo de 31 parlamentares americanos enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, expressando preocupação com o que classificam como tentativas de interferência do governo americano nas eleições do Brasil.
O documento, assinado por 30 deputados e um senador, afirma que o governo Trump estaria pressionando instituições brasileiras e colocando em risco a parceria estratégica entre as duas nações.o
Os parlamentares pedem que os EUA respeitem o processo eleitoral brasileiro e reconheçam o resultado das urnas, independentemente do candidato vencedor.
Os congressistas criticam ainda o uso de tarifas e sanções como forma de pressão relacionada ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL). Também questionam os critérios probatórios e legais empregados para aplicar a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
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