Gilmar diz que não sabia de tratativas entre ex-cunhado e Vorcaro
Gabinete afirma que ministro não foi procurado por Feitosa sobre o Master e destaca votos contrários aos interesses do banco
O gabinete do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira, 18, que o magistrado não teve conhecimento de tratativas entre seu ex-cunhado Chiquinho Feitosa e Daniel Vorcaro e que não foi procurado pelo ex-parlamentar sobre os assuntos relacionados ao Banco Master.
A nota também sustenta que Gilmar votou contra os interesses do banco no processo envolvendo a Destilaria Alcídia e em outros casos do setor sucroalcooleiro.
“Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do Ministro. O Ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”, inicia a manifestação.
“A audiência [entre Gilmar e Vorcaro] ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do Ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado. O recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada pelo artigo 7º, VIII, da Lei 8.906/1994”.
Segundo o gabinete, na ocasião, tratou-se de causa do setor sucroalcooleiro – Recurso Extraordinário com Agravo 1327995, de relatoria do Ministro Edson Fachin, em que figura como recorrida a Destilaria Alcídia S/A.
“Nesse processo, julgado pela Segunda Turma em 3 de junho de 2025, o Ministro Gilmar Mendes votou contra os interesses do Banco Master. O voto foi contra o pagamento do precatório, no sentido defendido pela União. Ficou vencido, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. Prevaleceu a posição dos Ministros Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli, favorável à empresa”.
O gabinete afirma que “o voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma”.
No Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1312127 (Raízen), relatado por Gilmar, ele votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vitoriosa em 16 de setembro de 2024, vencidos os ministros Edson Fachin e Nunes Marques.
“No ARE 1392660 (Jalles Machado), votou duas vezes contra o pagamento à usina – em 6 de agosto de 2024 e em 19 de agosto de 2025 -, ficando vencido nas duas ocasiões, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. No ARE 1500251 (Raízen), pediu destaque em 15 de agosto de 2025 e interrompeu julgamento que se encaminhava em favor da usina. Na Suspensão de Tutela Provisória 976-ED, votou em todas as sessões contra a liberação do precatório de mais de R$ 5 bilhões”, prossegue o gabinete.
A nota conclui dizendo que, em nenhum desses processos, o ministro votou em sentido favorável aos interesses apontados pela reportagem da Folha de S.Paulo que revelou o encontro com Vorcaro.
O ex-banco de Daniel Vorcaro mantinha em sua carteira bilhões em precatórios dessas empresas fruto de ações indenizatórias impetradas pelo setor contra a União. Na época, se as usinas fossem vitoriosas, o rombo nos cofres do governo federal poderia chegar a aproximadamente 150 bilhões de reais.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que Gilmar topou o encontro com Vorcaro, de 15 minutos, por influência do seu ex-cunhado. O ex-deputado, ex-senador e empresário Chiquinho Feitosa, hoje presidente do Republicanos no Ceará.
Chiquinho tinha na época um contrato de 500 mil reais de consultoria com o conglomerado de empresas de Daniel Vorcaro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)