Possível blindagem a Moraes aproxima campanhas de Lula e Flávio
Campanhas do PT e do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que Lula pode ser prejudicado com decisão favorável a Alexandre de Moraes
As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL), do presidente Lula (PT), e integrantes do Palácio do Planalto, avaliam que, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) jogue para debaixo do tapete uma investigação sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes, o maior beneficiado é o senador filho do ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
Ao longo do julgamento do pedido de providências apresentado inicialmente pelo ministro André Mendonça contra Moraes, e que agora está sob a relatoria de Edson Fachin, o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, alegou que o ex-ministro do governo Bolsonaro atuou de forma política para beneficiar o seu antigo grupo político.
No entanto, a avaliação das campanhas de Lula e de Flávio, tanto a demora quanto uma eventual decisão a favor de Moraes pode aumentar a mobilização do eleitor bolsonarista e incentivar o eleitor de Centro a desistir de votar em Lula.
A situação é tão preocupante que emissários do presidente Lula no Palácio do Planalto procuraram o ministro Cristiano Zanin para tentar convencê-lo a abandonar Moraes e votar contra o colega. Tudo para que a campanha de Flávio não utilize um voto de Zanin a favor de Moraes para macular a imagem do petista. Zanin era advogado de Lula e chegou ao STF após conseguir anular as sentenças de Lula na operação Lava Jato.
Como mostramos mais cedo, esse não deve ser o único efeito deletério do julgamento.
Independentemente do desfecho da discussão sobre a abertura de um procedimento contra o ministro Moraes, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a crise em torno do magistrado deve paralisar, na prática, a pauta do plenário da Corte até o fim do ano.
Na avaliação de alguns integrantes da Corte, não há “mais clima” para se discutir temas de grande repercussão ao longo do ano de 2026. A tendência é que grandes pautas constitucionais voltem para a discussão do plenário apenas no ano que vem. E isso se as feridas entre os ministros estiverem sanadas até lá.
A sessão desta terça-feira foi marcada por uma troca de acusações entre ministros como Flávio Dino, o presidente da Corte, Edson Fachin, Gilmar Mendes e André Mendonça.
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