Expresso 2022
Ainda é cedo para se discutir a eleição de 2022. Mas o histórico recente mostra que larga em vantagem quem começa a se movimentar mais cedo.
Faltando três anos para o início da campanha, a corrida presidencial de 2022 ainda se assemelha a uma caminhada. Mesmo assim, já interfere no jogo político de 2019.
Entre os militares, por exemplo, há o temor de que, uma vez em prisão domiciliar, Lula tenha condições de preparar um candidato competitivo que devolva o Palácio do Planalto ao PT. Mas o sucesso das reformas em discussão no Congresso pode ser a chave para impedir este cenário.
Não é descartado que o presidente da República concorra a uma reeleição, mesmo que isso contrarie promessa de campanha. Mas o próprio Jair Bolsonaro coloca na mesa a possibilidade de acabar de vez com as reeleições – agenda vista como um desgaste desnecessário.
– Sergio Moro
No entendimento de Cesar Maia, Bolsonaro adiantou a indicação de Sergio Moro ao STF como forma de tirá-lo da concorrência por 2022. Duas semanas depois, em matéria de Igor Gadelha para a Crusoé, o presidente apareceu incomodado com os elogios que parte da imprensa fazia ao ministro da Justiça – aliados viam no aplauso um endosso a uma corrida presidencial.
Bolsonaro incomodado com tratamento de imprensa a MoroA sensação deve ter se dissipado quando a Lava Jato foi vítima de vazamentos que expuseram diálogos de Moro com Deltan Dallagnol. De qualquer forma, o presidente só encampou a defesa do ministro após pesquisas confirmarem que a popularidade do ex-juiz federal apenas sofrera leves arranhões. Há, no entanto, quem veja o episódio como mais um incentivo para que Moro inicie uma corrida eleitoral, já que, sem votos, continua sob risco de uma queda abrupta. Mas o ministro garantiu a interlocutores que, por uma questão de fidelidade, jamais se colocaria no caminho de Bolsonaro. – PSL Dentro do partido do presidente, contudo, a briga é mais explícita. O racha interno mira as eleições municipais de 2020, mas Joice Hasselmann calcula a possibilidade de, dois anos depois, sentar na cadeira de João Doria. Em guerra civil contra o Major Olímpio, a dupla dá como certo que a parceria “bolsodoria” há de se desfazer até o final do mandato. O conflito já atingiu o ponto em que membros da base soam oposição ao governo.
Se tivessem me falado que, ao votar no Jair, na verdade estava votando no Olavo, eu teria anulado meu voto. Alexandre Frota– João Doria O ainda aliado é visto por Bolsonaro como o principal adversário em 2022. O governador de São Paulo conta com a simpatia de Rodrigo Maia, que renega uma fusão do PSDB com o DEM, mas antevê o tucano mudando de sigla a tempo de virar o candidato democrata na próxima eleição presidencial. Seria um movimento estranho, pois Doria encontra-se com o PSDB nas mãos. De qualquer forma, o presidente da Câmara Federal diz que ambas as siglas devem estar “fortes em um projeto único de geração de emprego e renda”. Se não der certo, não tem problema – ao menos do lado do DEM, que se sente hoje mais forte que o PSDB. – Luciano Huck Doria já deixou claro que, no próprio partido, não há espaço para Luciano Huck desejar o Palácio do Planalto. Cesar Maia observou que o apresentador da Globo poderia ser um candidato de oposição a Bolsonaro. O Antagonista lembrou que, mesmo com Doria se sentindo em casa, Tasso Jereissati andou se encontrando com Luciano. Mas falta combinar com os Hucks, que não querem a família envolvida em política. – PT Da cadeia, Lula mandou o partido engolir Gleisi Hoffmann até a próxima eleição presidencial. Mas há dentro da sigla um movimento para reduzir o mandato à metade. “Dessa maneira, ela não presidiria o PT na disputa de 2022“. – Fernando Haddad Esse movimento de resistência favorece Fernando Haddad, que não precisaria arriscar os 47 milhões de votos recebidos em 2018 em uma eleição municipal em 2020 – como deseja Gleisi. – Flávio Dino Se Gleisi é Lula, a esquerda parece mais interessada no pós-Lula. Flávio Dino deve deixar o PCdoB de olho na vaga aberta desde que o ex-presidente foi preso. Com este objetivo, pode migrar para o PSB ou PDT. Antes, contudo, pagou um pedágio à carceragem da Polícia Federal em Curitiba. – Rui Costa O governador da Bahia é outro petista que tenta se viabilizar como novo poste de Lula. Rui Costa costura as alianças com lideranças locais do PP e PSD. Uma delas diz que “depois de Bolsonaro, qualquer brasileiro pode se candidatar“.
É só ter vontade e um partido. Ficou evidente que conhecer o Brasil e seus problemas não é pré-requisito para ser presidente. Angelo Coronel, senador pelo PSD da Bahia– Ciro Gomes Mas há na esquerda quem queira distância de Lula. E veja nessa distância o caminho para somar votos. É o caso de Ciro Gomes.
Eu conheço o Lula. Ele é um encantador de serpentes, um enganador profissional. Não tem um companheiro com quem ele não tenha sido desleal ao longo da vida inteira, ele cultiva isso. Ciro Gomes– Movimentos Vale menção o trabalho de alguns movimentos políticos. O MBL atua para que, até 2022, tenha um partido próprio. Já o Brasil 200, que alega ter uma bancada com 209 parlamentares coordenados por Joice Hasselmann, busca um candidato a presidente.
Acredito que estaremos bastante fortes em 2022. Estaremos bem posicionados e é possível que tenhamos um candidato a presidente. Gabriel Kanner, porta-voz do Brasil 200Sentindo que o apoio ao pai está com os dias contados, Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para criticar uma das coordenadoras do movimento.
Sei exatamente o que muitos de vocês pretendem e como farão! Boa sorte! Carlos BolsonaroEsta é a segunda vez que O Comentarista aborda as eleições de 2022. Para conferir a edição anterior, basta continuar a leitura clicando AQUI.
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