Carlos Viana pede convocação de Padilha ao Senado por caso Lulinha
Lulinha é suspeito de ter interferido junto ao Ministério da Saúde no processo de liberação para venda de cannabis medicinal
O ex-presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), protocolou nesta segunda-feira, 24, um requerimento de convocação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para que compareça ao plenário do Senado e preste esclarecimentos sobre possíveis tratativas e intermediação de interesses privados perante a pasta.
A inciativa ocorre em decorrência de o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência. Ele é suspeito de ter interferido junto ao Ministério da Saúde no processo de liberação para venda de cannabis medicinal, com possível uso de contatos dentro do gabinete presidencial.
A PF aponta que Lulinha teria agido em benefício próprio dentro da estrutura do governo federal. Ele teria contado com a colaboração da empresária Roberta Luchsinger e do lobista Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
“Vieram a público novos elementos atribuídos a investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo possíveis tratativas de particulares perante órgãos da Administração Pública Federal. Entre os fatos divulgados estão referências a interlocuções e reuniões relacionadas ao Ministério da Saúde, envolvendo interesses empresariais privados e pessoas mencionadas nas investigações”, diz Viana na justificativa do requerimento de convocação.
“As informações tornadas públicas levantam questionamentos que precisam ser respondidos diretamente pelo Ministério da Saúde, especialmente quanto à existência de reuniões, apresentação de propostas, participação de servidores e autoridades, tramitação de documentos e eventual abertura ou movimentação de processos administrativos relacionados às tratativas mencionadas”.
Viana prossegue: “A convocação não representa antecipação de responsabilidade criminal de qualquer pessoa. Trata-se do exercício regular da competência constitucional de fiscalização do Senado Federal“.
Ainda de acordo com o senador, o Congresso “não pode permanecer passivo diante de informações que indiquem possível utilização de relações pessoais ou acesso privilegiado para intermediar interesses privados dentro da Administração Pública”.
Se os fatos não ocorreram, prossegue, o ministro terá a oportunidade de esclarecer. “Se ocorreram, precisamos saber quem entrou, quem abriu as portas, o que foi apresentado e quais providências foram tomadas dentro da estrutura pública“.
O requerimento de convocação ainda precisa ser votado pelo plenário. Se for aprovado, Padilha é obrigado a comparecer para prestar os esclarecimentos.
Viana também vem buscando assinaturas para um requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Lulinha.
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