Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha
Ministro do STF abre caminho para apuração sobre suposto tráfico de influência no setor de cannabis medicinal
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira, 30, que a Polícia Federal (PF) investigue Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência.
A corporação busca apurar se ele interferiu junto ao Ministério da Saúde no processo de liberação para venda de cannabis medicinal, com possível uso de contatos dentro do gabinete presidencial.
Nova frente de apuração
Conhecido como Lulinha, o empresário já figurava como investigado em outro inquérito, relacionado a fraudes nos descontos aplicados a aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Desta vez, porém, a PF percorreu um caminho distinto, associando o nome dele a articulações junto a servidores da pasta da Saúde.
A representação enviada ao STF, com 34 páginas, aponta que Fábio Luís teria agido em benefício próprio dentro da estrutura do governo federal. Segundo o texto enviado à Corte, ele contou com a colaboração da empresária Roberta Luchsinger e do lobista Antônio Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”.
Redistribuição gerou desconforto
Ao adotar essa linha de investigação, distinta da que já tramitava sob relatoria de Mendonça, a PF solicitou que o caso fosse redistribuído a outro ministro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) aceitou o pedido, e o processo foi sorteado novamente — mas retornou às mãos do próprio Mendonça, que concedeu a autorização.
A manobra da PF para tentar mudar o relator do caso foi malvista por integrantes ouvidos nos bastidores do STF, segundo apurou a reportagem que revelou o episódio.
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