Líder da oposição cobra da PGR oitiva de Lulinha
Cabo Gilberto Silva (PL-PB) protocolou uma representação na PGR pedindo "providências urgentes" sobre o filho de Lula
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva, disse nesta terça-feira, 18, que protocolou na Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação cobrando “providências urgentes” sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – filho do presidente Lula (PT). Entre elas, que avalie uma possível oitiva de Lulinha.
Gilberto Silva fez o anúncio pelo X. “Acabo de protocolar na PGR uma representação cobrando providências urgentes sobre Lulinha. Chega de espera. Se a própria Polícia Federal considera ouvi-lo, o Brasil precisa de respostas. Pedi à PGR que avalie a preservação imediata das provas, a oitiva de Lulinha e todas as medidas necessárias para que essa investigação avance. Ser filho do presidente da República não coloca ninguém acima da lei”, escreveu.
“Como líder da Oposição, eu vou cumprir o meu dever: fiscalizar, cobrar e não permitir que o poder político seja escudo para ninguém. Agora esperamos uma resposta firme das instituições. O Brasil vai conhecer a verdade”, complementou.
O ex-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), também pediu hoje a oitiva de Lulinha, mas diretamente ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As iniciativas ocorrem após virem à tona mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta Luchsinger, de março de 2024, que sugerem que a dupla, investigada pela Polícia Federal por tráfico de influência, atuava em lobby junto do gabinete do presidente Lula (PT).
No diálogo, o filho de Lula disse que participou de reuniões com o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa, o Berger.
Eis o diálogo:
[Roberta Luchsinger]: Nosso nível tá outro.
[Roberta Luchsinger]: Nosso futuro é a Suíça.
[Roberta Luchsinger]: Poucos negócios é bom.
[Roberta Luchsinger]: Esse povo aqui tá em outra vibe.
[Lulinha]: Isso… deixa eles… trabalho para caralho e nunca da em nada.
[Roberta Luchsinger]: Decepção tá.
[Lulinha]: É que o Fernando abusa… Todo dia tem um pedido novo pra ele… todo santo dia… Ele parou de atender ZP e Fernando.
[Roberta Luchsinger]: Marcola não quer.
[Roberta Luchsinger]: Ele tá incomodado.
[Roberta Luchsinger]: I falou pra gente almoçar com Berger e ele sem Fefe.
[Roberta Luchsinger]: Pq ele não quer mesmo.
[Lulinha]: Isso… Já é o terceiro almoço que eu tenho com ele ele pede pra ser só entre nós.
Segundo os investigadores, “Fernando” ou “Fefe” a quem Lulinha e Roberta se referem é Fernando Bittar, ex-sócio do filho do presidente Lula e um dos donos formais do sítio de Atibaia.
O sítio que era usado por Lula em Atibaia e que lhe rendeu uma condenação por lavagem de dinheiro e corrupção passiva na Operação Lava Jato foi comprado em 2010 pelo valor de 1,5 milhão de reais.
Desse valor, 1 milhão de reais foi pago por Jonas Suassuna.
Os 500 mil reais restantes foram pagos por Fernando Bittar, filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar e irmão de Kalil Bittar.
As planilhas também mostram que Kalil Bittar recebeu 750 mil reais de Lulinha entre 2022 e 2025. Os pagamentos eram realizados mensalmente no valor de 50 mil reais.
Os valores pagos para Jonas Suassuna (700 mil reais) e Kalil Bittar (750 mil reais) totalizam 1,450 milhão de reais, quase o valor que foi pago pelo sítio em 2010 (sem contar a inflação).
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