Flávio critica rebaixamento de relação com a Argentina: “Política ideologizada”
Senador e pré-candidato a presidente divulgou nota em que chama a Argentina de "nação irmã" e "amiga histórica do povo brasileiro"
O senador e pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repudiou nesta quinta-feira, 6, em nota, a decisão do governo Lula (PT) de reduzir o nível de sua representação diplomática na Argentina, mantendo a embaixada em Buenos Aires sob comando de um encarregado de negócios.
Na nota, o político do PL chama a Argentina de “nação irmã”, maior parceiro comercial do Brasil na América do Sul e “amiga histórica do povo brasileiro”.
Além disso, diz que “romper com Buenos Aires não é um fato inevitável: é o resultado direto de uma política externa ideologizada e confrontacionista, que em poucos meses fabricou crises com três países da nossa região – os Estados Unidos, nosso maior parceiro no continente, o Paraguai, vizinho e aliado histórico, e agora a Argentina”.
A decisão do govero brasileiro ocorreu depois que o presidente argentino, Javier Milei, voltou a atacar publicamente o presidente Lula, chamando-o de “ladrão” e “corrupto” em entrevista concedida no domingo, 2, à emissora LN+.
Como desdobramento, o embaixador Julio Bitelli não deve retornar ao posto na capital argentina.
Para Flávio, “nenhum governo da história recente conseguiu isolar tanto o Brasil em tão pouco tempo”. As tensões diplomáticas do Brasil na América do Sul, porém, são apenas com dois países governados por aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A tensão diplomática do Brasil com os Estados Unidos ocorre por causa da imposição de tarifas a produtos brasileiros importados; pela informação de que o governo Trump pretendia enviar dois integrantes do Departamento de Estado americano ao Brasil com a missão de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro; e pela revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
“Mais uma vez, a retórica da ‘defesa da dignidade nacional’ é usada como instrumento de propaganda. A soberania e o prestígio do Brasil não se protegem com bravatas eleitoreiras e rompimentos diplomáticos. Protegem-se com economia forte, capacidade de negociação e uma política externa comprometida com os interesses permanentes da Nação – não com as vaidades do governante de plantão”, diz Flávio na nota.
“A escalada é unilateral: o próprio governo argentino já declarou que não retaliará. A verdadeira razão desse desespero é evidente. O projeto do Foro de São Paulo está colapsando na América Latina. Os regimes que ele apadrinhou – sustentados pelo narcotráfico e pela repressão – trouxeram miséria, êxodo e violência aos seus povos, e agora caem um a um. Lula assiste à derrocada dos seus aliados e reage rompendo com os vizinhos que escolheram a liberdade”.
Ele prossegue: “O preço dessa irresponsabilidade não será pago por quem a cometeu. Será pago pelo produtor rural, pelo industrial, pelo exportador e pelo trabalhador brasileiro, que dependem dessas relações para produzir, vender e empregar – e que não participaram das escolhas políticas que provocaram esta crise”.
Ainda de acordo com o parlamentar, em um eventual governo seu a partir de 2027, o Brasil “voltará a tratar nossos vizinhos como parceiros, não como adversários ideológicos, e reconstruiremos as pontes com a Argentina, o Paraguai, os Estados Unidos e todas as nações livres do continente”.
Ao final da nota, ele se dirige a Milei, a quem chama de “estimado amigo”, e ao povo argentino e afirma que “esta crise não é entre nossas nações – é obra de um governo em fim de linha. Haverá paz e prosperidade para os nossos povos”.
Flávio vai enfrentar Lula nas urnas em outubro. O petista é pré-candidato à reeleição.