Ultrafarma e Fast Shop recebem multas bilionárias em SP
Autuações da Fazenda paulista são resultado de apuração ligada à Operação Ícaro, que investiga suspeitas de fraude tributária e corrupção
A Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo aplicou multas que somam cerca de R$ 2,87 bilhões contra a Ultrafarma e a Fast Shop.
As autuações são resultado de uma apuração interna iniciada após a Operação Ícaro, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investiga suspeitas de fraude tributária e corrupção envolvendo auditores fiscais.
Segundo a Fazenda, as irregularidades estão relacionadas a processos de ressarcimento de créditos de ICMS. A suspeita é que servidores tenham favorecido grandes empresas, acelerando ou facilitando a liberação de valores em troca de propina.
A Fast Shop recebeu uma autuação de R$ 1,48 bilhão.
Já a Ultrafarma foi alvo de três autos de infração, que totalizam cerca de R$ 1,39 bilhão.
A Secretaria também aplicou outros R$ 947,2 milhões em multas a empresas de terceiros envolvidas em operações consideradas irregulares pela fiscalização.
Operação Ícaro
Deflagrada em agosto de 2025, a Operação Ícaro apura um suposto esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda paulista.
De acordo com o Ministério Público, processos administrativos relacionados a créditos de ICMS teriam sido manipulados para beneficiar empresas, inclusive com a liberação de valores supostamente inflados.
No início da investigação, foram presos o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop. Os dois foram posteriormente soltos e respondem ao processo em liberdade.
O principal investigado é o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “King”.
Segundo o Ministério Público, ele é apontado como um dos responsáveis pela articulação do esquema e teria recebido R$ 383,6 milhões em propinas, além de movimentar mais de R$ 1 bilhão. Ele permanece preso.
As investigações também envolvem o auditor aposentado Alberto Toshio Murakami, conhecido como “Americano”, e o ex-delegado tributário Paulo Sérgio Siqueira do Prado, o “PP”. Murakami é considerado foragido e integra a lista de Difusão Vermelha da Interpol, enquanto o “PP” firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público.
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