Renda média, a armadilha de que o Brasil não consegue escapar
o antagonista
Assine Entre

28.10.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista
Renda média, a armadilha de que o Brasil não consegue escapar
avatar
Carlos Graieb
7 minutos de leitura 29.07.2026 16:22 comentários
Oráculo

Renda média, a armadilha de que o Brasil não consegue escapar

Ranking do Banco Mundial mostra país estacionado há 40 anos em posição intermediária; desafio deve ser cobrado dos políticos

avatar
Carlos Graieb
7 minutos de leitura 29.07.2026 16:22 comentários 0
Banner de disclaimer: Esse é um conteúdo de degustação do Oráculo
x Disclaimer Orácilo: Receba análises exclusivas de Carlos Grabieb, Duda Teixeira, Wilson Lima e Rodolfo Borges integrados a uma plataforma  premium de dados proprietários.
Renda média, a armadilha de que o Brasil não consegue escapar
Foto: ChatGPT Image
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Quase 40 anos depois de o Banco Mundial começar a classificar as economias do mundo por faixas de renda, o Brasil permanece estacionado. O país continua entre as economias de renda média-alta, sem conseguir dar o salto para o grupo de alta renda. A atualização referente ao ciclo 2026-2027 manteve o Brasil nessa categoria, ao lado de outras grandes economias emergentes, enquanto seis países avançaram. Vietnã, Filipinas, Sri Lanka, Jordânia e Micronésia passaram de renda média-baixa para média-alta e Togo saiu da baixa renda para a média-baixa.

Desde 1987, quando o ranking teve início, a parcela de economias classificadas pelo Banco Mundial como de baixa renda caiu para apenas 11%, enquanto o número de países de alta renda aumentou significativamente. Na América Latina, esse grupo de alta renda passou de apenas três economias para dezenove, impulsionado principalmente por países menores, como Chile, Uruguai, Panamá e, mais recentemente, Costa Rica. Já as maiores economias da região — Brasil, México, Argentina, Colômbia e Peru — permanecem na faixa intermediária.

Por que isso importa

A classificação do Banco Mundial não mede desenvolvimento. Ela se baseia na renda nacional bruta per capita calculada pelo método Atlas, um indicador utilizado para comparações internacionais e para definir, entre outras coisas, o acesso de países a determinadas linhas de financiamento.

Mudanças de categoria podem decorrer de crescimento econômico consistente, mas também de revisões estatísticas, alterações demográficas ou movimentos cambiais. Neste ano, por exemplo, a Jordânia mudou de faixa principalmente após uma revisão das contas nacionais, enquanto Togo foi beneficiado por uma revisão censitária que reduziu sua população estimada.

A classificação também deve ser interpretada em perspectiva histórica. O economista sul-coreano Keun Lee observa que o próprio Banco Mundial tornou gradualmente menos exigente o critério para enquadrar um país como de alta renda. Em 1990, o limite correspondia a cerca de 30% da renda per capita dos Estados Unidos; hoje equivale a aproximadamente 20%. Além disso, o indicador é calculado em dólares correntes e não leva em conta diferenças de custo de vida entre os países, o que pode produzir distorções.

Ainda assim, essas mudanças metodológicas tornam a estagnação de grandes economias como o Brasil ainda mais significativa: mesmo com um limiar relativamente mais acessível, elas continuam sem conseguir romper a barreira da alta renda.

A permanência prolongada na faixa intermediária deu origem a um conceito influentes na economia do desenvolvimento: a “armadilha da renda média”. O conceito descreve países que enriquecem devido ao aumento do investimento, à urbanização e ao deslocamento de mão de obra para setores mais produtivos, mas deixam de crescer quando esses motores se esgotam. A partir daí, somente ganhos sustentados de produtividade, inovação, difusão tecnológica e qualidade institucional permitem alcançar a renda alta.

Em ano eleitoral, produtividade, inovação, concorrência, educação e integração internacional são temas que demandam atenção no debate público. Sua presença nos programas dos candidatos deve ser cobrada.

Panorama

Os países que conseguiram escapar da armadilha têm trajetórias distintas, mas com elementos recorrentes.

A Coreia do Sul talvez seja o caso mais conhecido. Ainda nos anos 1980, possuía renda per capita inferior à brasileira. Hoje integra o grupo das economias avançadas graças a uma estratégia de longo prazo baseada em abertura ao comércio internacional, forte investimento em educação, política industrial voltada à competitividade global e incorporação crescente de inovação própria.

O Vietnã representa uma versão contemporânea desse processo. Segundo o Banco Mundial, sua promoção neste ano decorreu de vários anos de crescimento sustentado, impulsionado por uma estratégia exportadora, pela integração às cadeias globais de produção e pela rápida difusão de tecnologias industriais.

Na América Latina, o Chile constitui o exemplo mais próximo de convergência bem-sucedida. Embora tenha se beneficiado da mineração, consolidou regras macroeconômicas estáveis, instituições relativamente previsíveis e maior integração internacional, permitindo que a renda elevada fosse sustentada por décadas, e não apenas por ciclos favoráveis das commodities.

O contraste brasileiro aparece justamente na produtividade. O World Development Report 2024 mostra que, enquanto economias como Coreia do Sul continuaram aproximando sua produtividade da fronteira tecnológica mundial, o Brasil atingiu um pico relativo e posteriormente perdeu dinamismo.

Lupa

Um estudo coordenado pelo economista brasileiro Otaviano Canuto, que foi diretor executivo do Banco Mundial e do FMI, argumenta que o Brasil desperdiçou a oportunidade de ingressar entre as economias de alta renda na primeira metade da década passada.

Em vez de transformar o boom das commodities em diversificação produtiva e ganhos permanentes de produtividade, o país experimentou desindustrialização precoce, baixo crescimento da produtividade e concentração crescente em atividades baseadas em recursos naturais.

As recomendações dos autores vão além da defesa genérica de mais investimento. Eles propõem ampliar a concorrência doméstica por meio de maior abertura comercial, acelerar a incorporação de novas tecnologias, fortalecer políticas voltadas ao aumento da produtividade e estimular maior integração às cadeias globais de valor.

Essa agenda converge com uma avaliação mais recente apresentada pelo economista João Gabriel de Araujo Oliveira, da World Academy of Art and Science. Segundo ele, o Brasil não sofre propriamente de escassez de instrumentos de incentivo à inovação — programas como a Lei do Bem existem há tempos —, mas da dificuldade de transformar conhecimento em ganhos disseminados de produtividade.

O país produz excelência tecnológica em segmentos como o agronegócio, mas esses avanços pouco se difundem para a indústria e os serviços. O principal gargalo estaria no ambiente institucional: interação insuficiente entre universidades e empresas, baixa inserção nas cadeias globais de valor, fragilidades na proteção da propriedade intelectual e limitada capacidade das empresas de absorver novas tecnologias.

Esse diagnóstico dialoga com a estratégia dos “3 Is” proposta pelo Banco Mundial — investimento, difusão tecnológica (infusion) e inovação. A convergência indica que o desafio é construir instituições capazes de converter investimento, conhecimento e inovação em aumento de produtividade.

Resumo da Ópera

A atualização anual do Banco Mundial não altera a posição do Brasil, mas reforça uma pergunta que acompanha o país há quase quatro décadas: por que algumas economias conseguem romper a barreira da renda média enquanto outras permanecem estacionadas?

A capacidade de elevar consistentemente a produtividade é o fator essencial. O crescimento baseado em consumo, commodities ou expansão do investimento tende a perder força com o tempo. O diferencial dos países que convergiram para a alta renda foi construir instituições que favorecem concorrência, inovação, difusão tecnológica e formação de capital humano.

Durante o ciclo eleitoral, essa talvez seja a melhor régua para avaliar programas de governo. Os eleitores deveriam cobrar dos candidatos ideias para que produtividade, inovação e competitividade cresçam e se reforcem mutuamente ao longo do tempo. É esse processo — e não uma simples melhora de posição no ranking do Banco Mundial — que determinará se o país finalmente conseguirá superar a armadilha da renda média.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Decisão de Moraes divide bastidores do STF

Decisão de Moraes divide bastidores do STF
2

Líder da oposição aciona Conselho de Ética contra deputado petista

Líder da oposição aciona Conselho de Ética contra deputado petista
3

Tarcísio publica vídeo com tom presidencial

Tarcísio publica vídeo com tom presidencial
4

Lula e Alcolumbre fecham acordo para indicação de Pacheco ao STF

Lula e Alcolumbre fecham acordo para indicação de Pacheco ao STF
5

Valdemar se reúne com Michelle no dia da fuga de Flávio

Valdemar se reúne com Michelle no dia da fuga de Flávio
6

Sóstenes vê “coincidência” em ação da PF na sede do PL

Sóstenes vê “coincidência” em ação da PF na sede do PL
7

Durigan oferece remédio fraco para crise fiscal

Durigan oferece remédio fraco para crise fiscal
8

Tereza Cristina sinaliza candidatura à presidência do Senado

Tereza Cristina sinaliza candidatura à presidência do Senado
9

Por que Flávio foi para os EUA, segundo Jordy

Por que Flávio foi para os EUA, segundo Jordy
10

Crusoé: Cérebro por trás da fuga de Flávio é Marco Rubio, diz aliado de Trump

Crusoé: Cérebro por trás da fuga de Flávio é Marco Rubio, diz aliado de Trump
1

União Progressista oficializa apoio à reeleição de Alcolumbre ao comando do Senado

União Progressista oficializa apoio à reeleição de Alcolumbre ao comando do Senado
2

“Tem medo de alguma coisa”, diz Lula sobre fuga de Flávio

“Tem medo de alguma coisa”, diz Lula sobre fuga de Flávio
3

Governo deve pedir Centrão em casamento, diz Simone Tebet

Governo deve pedir Centrão em casamento, diz Simone Tebet
4

Crusoé: Meirelles alerta para risco de recessão

Crusoé: Meirelles alerta para risco de recessão
5

Alcolumbre vai negociar indulto a Bolsonaro por reeleição?

Alcolumbre vai negociar indulto a Bolsonaro por reeleição?
6

Tereza Cristina sinaliza candidatura à presidência do Senado

Tereza Cristina sinaliza candidatura à presidência do Senado
7

Decisão de Moraes divide bastidores do STF

Decisão de Moraes divide bastidores do STF
8

Pós-Flávio: quem herda a liderança da direita até 2030?

Pós-Flávio: quem herda a liderança da direita até 2030?
9

Kim Kataguiri chama Flávio de “líder fraco” após fuga para os EUA

Kim Kataguiri chama Flávio de “líder fraco” após fuga para os EUA
10

Flávio nos EUA: o que a ordem de Moraes sobre o passaporte revela

Flávio nos EUA: o que a ordem de Moraes sobre o passaporte revela
1

Motta anuncia grupo para propor regras à propaganda eleitoral nas redes

Motta anuncia grupo para propor regras à propaganda eleitoral nas redes
2

A segunda vida de Davi Alcolumbre

A segunda vida de Davi Alcolumbre
3

Motta articula votação de PEC do voto distrital misto ainda este ano

Motta articula votação de PEC do voto distrital misto ainda este ano
4

Flávio Bolsonaro nos braços de Donald Trump

Flávio Bolsonaro nos braços de Donald Trump
5

“Desmoralização de Moraes escancara Judiciário fora dos trilhos”, diz Marinho

“Desmoralização de Moraes escancara Judiciário fora dos trilhos”, diz Marinho
6

Flávio “chega aos EUA para lamber as botas de Trump”, diz vice-presidente do PT

Flávio “chega aos EUA para lamber as botas de Trump”, diz vice-presidente do PT
7

Duda Salabert pede a Alcolumbre suspensão do salário de Flávio

Duda Salabert pede a Alcolumbre suspensão do salário de Flávio
8

Flávio chega a Miami

Flávio chega a Miami
9

Número de mortos em colisão entre trens na Espanha sobe para 64

Número de mortos em colisão entre trens na Espanha sobe para 64
10

Crusoé: Meirelles alerta para risco de recessão

Crusoé: Meirelles alerta para risco de recessão

Tags relacionadas

armadilha da renda média Banco Mundial economia brasileira eleições 2026 Produtividade
< Notícia Anterior

Bolsonaro não autorizou uso de sua imagem e voz para vídeo de IA, diz defesa

29.07.2026 00:00 4 minutos de leitura
Bolsonaro não autorizou uso de sua imagem e voz para vídeo de IA, diz defesa
Próxima notícia >

Pesquisas no Canadá e na Índia indicam: falar dois idiomas pode atrasar em cerca de 4 anos os sintomas da demência, mas não previne a doença

29.07.2026 00:00 4 minutos de leitura
Pesquisas no Canadá e na Índia indicam: falar dois idiomas pode atrasar em cerca de 4 anos os sintomas da demência, mas não previne a doença
avatar

Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Início
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Assine

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Privacidade Termos de uso Política de Cookies Princípios Editoriais
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé