Bolsopetismo: Flávio repete Lula e diz que pai é “vítima da maior farsa que país já viveu”
O Brasil permanece prisioneiro do fenômeno há mais de uma década. Dois lados que fingem ser opostos, mas que reproduzem os mesmos vícios
Particularmente, desde o início, sempre sustentei que bolsonarismo e lulopetismo têm muito mais semelhanças que diferenças. Ambos funcionam como seitas messiânicas, nas quais a figura do líder – seja o Messias “original” ou o outro – está sempre acima das instituições, das leis, dos partidos e até da realidade.
Não há, em comum aos dois projetos de poder, um plano minimamente consistente de país, estratégia social e econômica de médio e longo prazos ou qualquer debate sério sobre as inúmeras reformas estruturais que tanto precisamos. O que existe é tão somente a mais rasteira exploração eleitoral permanente.
O aparelhamento da máquina pública, o uso escancarado de programas sociais, o fomento do medo, do ódio, da indignação e da esperança – ou desesperança -, sempre voltados para a próxima eleição, é o único “plano de governo” dessa gente. As semelhanças, porém, vão ainda além que tudo isso.
Almas gêmeas
Ambos os movimentos são autoritários, intolerantes, desprezam o contraditório, demonizam os adversários, transformam qualquer tipo de crítica em perseguição e violência – física e digital – e alimentam a lógica do “nós contra eles”. E a corrupção jamais é reconhecida como tal quando envolve o próprio grupo.
É sempre “Invenção da imprensa”, conspiração das elites que “Não gostam de pobres nas universidades”, ou “Perseguição política e armação do Judiciário”. Os filhos, as esposas, os aliados e amigos são tratados como intocáveis, merecedores de proteção absoluta, independentemente do que fizeram e continuam fazendo.
Foi exatamente esse roteiro que o PT escreveu e divulgou durante todos os escândalos que protagonizou, do mensalão ao petrolão, passando pela Lava Jato. O “inocente” Lula jamais admitiu qualquer irregularidade. Disse ter sido vítima de traição e, depois, da “Maior perseguição judicial da história brasileira.”
Tudo como dantes
Seus apoiadores fanáticos continuam repetindo que tudo não passou de uma farsa montada por Sergio Moro e a República de Curitiba para impedir seu retorno ao poder. Pouco importava que ele tivesse sido condenado em primeira instância, pelo TRF-4 e pelo STJ. Ou seja, uma conspiração persecutória universal.
As condenações da “alma mais honesta desse país” jamais foram revertidas por absolvição. O STF anulou os processos por questões processuais tiradas sabe-se lá de onde e por que, e não por inexistência de fatos ou de inúmeras provas testemunhais e materiais. A narrativa, entretanto, predomina entre os fiéis.
Com Jair Bolsonaro ocorre o mesmo, apenas invertido ideologicamente. O ex-presidente não está preso porque faltaram acusações ou indícios. Ao contrário. A investigação reuniu vasta documentação, mensagens, depoimentos e gravações. O próprio “mito” produziu declarações que integraram o conjunto probatório.
Flávio Tarantino
Independentemente da opinião de cada um sobre o STF ou mesmo sobre desvios pontuais do chamado devido processo legal, dizer que não existem provas de que o patriarca do clã das rachadinhas atentou contra o Estado Democrático de Direito deixa de ser realidade para se tornar slogan político.
Foi exatamente essa lógica, aliás, que Flávio Bolsonaro reproduziu neste sábado, 25, durante a convenção do PL que oficializou sua candidatura à Presidência. Ao se referir ao pai, afirmou que Jair Bolsonaro é “O maior e mais injustiçado líder brasileiro, vítima da maior farsa que esse país já presenciou.”
Ora, ora, ora. Não é exatamente o que Lula e o PT repetem? O pior é que cada torcida enxerga com absoluta nitidez o fanatismo da outra, sendo incapaz de reconhecer o próprio. O petista ri do bolsonarista que acredita na inocência de Bolsonaro. O bolsonarista debocha do petista que jura que Lula jamais cometeu qualquer crime.
Pobre Brasil
Ambos os grupos idólatras chamam o adversário de “gado”. Ambos acusam o outro lado de viver numa realidade paralela. Ambos transformam seus líderes, ou melhor, ídolos políticos em figuras infalíveis, semideuses, e qualquer investigação – com provas! – em perseguição, injustiça, ditadura, fascismo, blá, blá, blá..
No fim do dia, essa turba cega muda apenas de camisa. O método, o discurso, o comportamento e a incapacidade de aceitar a realidade quando ela contraria as falácias e as desculpas esfarrapadas que dão quando pegos em seus enroscos são idênticos. Confesso que chega a dar dó, quando a raiva passa.
É exatamente por isso que o Brasil permanece prisioneiro do mesmo fenômeno há mais de uma década. Dois lados que fingem ser opostos, mas que reproduzem os mesmos vícios diante do espelho: o bolsopetismo. Até porque precisam um do outro. Não vivem um sem o outro. E o país que se dane.
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Comentários (4)
jorcovix
26.07.2026 11:08Infelizmente o Brasil não vai mudar. Os 3 poderem governam para si, com salários, benefícios, desvios milionários, etc etc. E o povo na sua grande maioria não tem a mínima noção do mal que o Bolsopetismo faz para o Brasil.
Pedro Boer
26.07.2026 00:43A "isentologia" é totalmente míope. rs Ratos e gatos são iguais pois são mamíferos. kkkkk
Helio Silveira Martins
25.07.2026 18:02Ricardo, 80% dos brasileiros cultuam esse lixo. O Brasil está fo… e mal pago.
Joaquim Duran
25.07.2026 15:35Assim como no Legislativo e no Judiciário...