Um país refém do STF e da corrupção; outra vez
O Brasil se encontra, novamente, capturado pela corrupção sistêmica e sob as vontades do Judiciário. A saída? Não sei. Nem o aeroporto é opção
Pior do que não aprender com o passado e evitar os mesmos erros no futuro é aprender com o passado justamente para cometer os mesmos erros no futuro. Não entendeu? Fiquei parecendo Dilma “Estoquista de Vento” Rousseff? Beleza. Eu explico.
Durante as últimas décadas, após escândalos financeiros e de corrupção sacudirem o país e ameaçarem algumas estruturas superiores de poder, as castas organizadas em torno de assaltos aos cofres públicos e privados começaram a aprender algumas lições.
Dentre elas, a cooptação de agentes do Judiciário, seja nos ministérios públicos, nas polícias estaduais e federais ou nos tribunais por todo o país. Erros grosseiros, que ensejam anulações futuras ou omissões providenciais, se tornaram corriqueiros.
Os números não mentem
Sem falar, é claro, na compra direta de sentenças, praga cada vez mais comum, inclusive nos tribunais superiores, ou na “nova” forma e espécie de nepotismo cruzado, que é a contratação e atuação de bancas de advocacia de parentes de magistrados.
Dias atrás, o Estadão publicou uma análise mostrando que 74% das ações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), tocadas por familiares de ministros, se deram após a nomeação dos mesmos. Ou seja, quando o sobrenome não importava, faltava trabalho.
O mesmo jornal mostrou ainda que 19 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm 29 parentes atuando em ações na corte. Nos estados, é comum filhos de desembargadores trabalharem em causas sob os cuidados de colegas dos seus pais.
O crime compensa
Mas, voltando a erros providenciais, que ensejam anulações processuais sob encomenda, casos como Banestado, Satiagraha e Lava Jato se tornaram notórios, e não por tais erros, mas pelo uso político – e comercial – a partir da “entrada em campo” do tal Sistema.
Ter acesso a advogados 6 estrelas, com notório saber jurídico e trâmite ilimitado à Brasília garante 100% de impunidade ao final do processo, seja pelas famigeradas anulações ou ainda por prescrições, após anos e anos de curso mais lento que um cágado cansado.
A matriz da corrupção brasileira se dá, obviamente, por nossa estrutura cultural. Porém, a perpetuação de tal corrupção se dá pela impunidade ampla, geral e irrestrita. Todo ladrão sabe fazer conta e, quando o tal “custo-benefício” compensa, a delinquência é certa.
E assim será
Não é à toa que, entra ano, sai ano; entram ministros, saem ministros; mudam prefeitos, governadores e presidentes; as câmaras municipais, as assembleias legislativas e o Congresso Nacional se renovam, mas a corrupção se mantém sempre crescente.
Os filmes do Banco Master e da CPMI do INSS já foram vistos antes, e conhecemos bem o final. Ainda que alguma forma de justiça seja feita, será provisória, como foi na Lava Jato. Com um agravante: dessa vez há suposto envolvimento de ministros do STF.
Ou seja, se anteriormente, em escala bem menor, tudo terminou em pizza, por que raios, dessa vez, seria diferente? O Brasil se encontra, novamente, capturado pela corrupção sistêmica e sob as vontades do Judiciário. A saída? Não sei. Nem o aeroporto é opção.
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