Brasil acionará Lei de Reciprocidade após novas tarifas anunciadas pelos EUA

08.09.2026

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Brasil acionará Lei de Reciprocidade após novas tarifas anunciadas pelos EUA
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4 minutos de leitura 23.07.2026 18:57 comentários
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Brasil acionará Lei de Reciprocidade após novas tarifas anunciadas pelos EUA

Governo Lula classificou a medida como "arbitrária"; Casa Branca apontou trabalho forçado em 60 países

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Brasil acionará Lei de Reciprocidade após novas tarifas anunciadas pelos EUA
Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O governo brasileiro informou nesta quinta-feira, 23, que iniciará “imediatamente os trâmites” para acionar a Lei de Reciprocidade após os Estados Unidos anunciarem a aplicação de uma nova tarifa sobre importações vindas de aproximadamente 60 parceiros comerciaisentre eles o Brasil.

“Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, diz trecho da nota.

A medida anunciada pelo governo americano tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que abriu uma investigação sobre supostas práticas de trabalho forçado nas cadeias produtivas desses países.

No comunicado, o governo brasileiro ressaltou que na ausência “de base interna legal para sustentar sua política comercial protecionista o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais”.

Para produtos brasileiros, a nova cobrança se soma à tarifa de 25% em vigor desde a última quarta-feira, 22,, o que pode elevar a sobretaxa total a 37,5% sobre parte das exportações do país.

Leia mais: EUA aplicam tarifa extra ao Brasil por trabalho forçado

Critério distingue países por fiscalização

diferenciação entre as alíquotas de 10% e 12,5% depende da avaliação dos EUA sobre a existência de barreiras contra a entrada de mercadorias produzidas com mão de obra forçada.

Países que adotaram tais restrições ficam sujeitas à taxa menor, enquanto as demais, incluindo o Brasil, recebem a cobrança mais alta.

Segundo o texto do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgado no início de julho, falta de controles sobre esse tipo de importação é tratada como prática comercial desleal, por gerar vantagem indevida a fabricantes que usam mão de obra em condições irregulares.

O relatório aponta ainda que essa lacuna favorece a manutenção do trabalho escravo em escala global, ao viabilizar a venda de produtos com custo artificialmente reduzido.

À época, o representante comercial americano, Jamieson Greer, declarou que “a falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais”.

No caso brasileiro, o documento reconhece a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada a cada seis meses pelo governo federal, mas considera insuficientes os mecanismos do país para barrar a entrada de bens produzidos sob essa condição em outros territórios.

Nova cobrança substitui tarifa anterior

A tarifa que passa a vigorar substitui a alíquota global de 10% decretada em fevereiro pelo presidente Donald Trump, aplicada com base na Seção 122 da legislação comercial, que permite tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo termina justamente nesta sexta-feira, 24.

A medida de fevereiro havia sido adotada logo após a Suprema Corte americana anular as tarifas recíprocas impostas por Trump no ano anterior, ocasião em que o presidente já sinalizava o uso da Seção 301 para novas investigações comerciais.

No Brasil, o governo federal já previa a nova cobrança e mantém diálogo com representantes de setores afetados para definir eventuais medidas de resposta.

Entre as ações já em curso está a terceira etapa do Plano Brasil Soberano, anunciada na quarta-feira, 22, que destinou R$ 18,5 bilhões em crédito a empresas dos setores farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de companhias prejudicadas pela redução do comércio com o Golfo Pérsico em decorrência do conflito no Oriente Médio.

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