Falha em trens reacende disputa Tarcísio e Haddad
Explosão em composição da Trivia expõe crise na malha ferroviária e alimenta embate entre candidatos antes da eleição estadual
Uma explosão registrada na manhã desta quinta-feira, 23, em um trem na região do Brás, na zona central de São Paulo, paralisou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e obrigou passageiros a caminhar pelos trilhos com a luz do celular para se orientar.
O incidente, terceiro problema consecutivo desde que a Trivia Trens assumiu a operação dos trajetos nesta semana, levou a Agência Reguladora de Transporte do Estado (Artesp) a devolver a gestão das linhas à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) por, no mínimo, 90 dias.
Reação de pré-candidatos
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista, usou as redes sociais para classificar o episódio como sintoma de um “problema grave de gestão” e anunciou que pretende reavaliar contratos de concessão caso vença a disputa eleitoral.
Segundo O Globo, ele mencionou ainda revisões semelhantes feitas no Tesouro Nacional durante sua gestão no Ministério da Fazenda, quando o governador Tarcísio de Freitas comandava a pasta dos Transportes.
Haddad também retomou críticas à privatização da Sabesp, citando a explosão que matou duas pessoas no bairro do Jaguaré em maio. Segundo ele, os casos revelam um padrão de falhas em serviços públicos concedidos à iniciativa privada durante a atual gestão estadual.
Governador defende fiscalização
Em Ourinhos, no interior do estado, onde participava de um encontro com produtores rurais, Tarcísio de Freitas, que tentará a reeleição, afirmou à TV Tem que o retorno provisório da operação à CPTM decorre de mecanismos de proteção previstos no contrato com a Trivia.
“Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai sofrer as sanções e a gente também não vai hesitar, em algum momento, em tirar a empresa do contrato”, disse o governador.
O governador reconheceu falhas na atuação da concessionária ao declarar que “a empresa precisa se preparar melhor” e que “é inaceitável o que aconteceu no dia de hoje”.
Ainda assim, ponderou que as dificuldades na malha ferroviária resultam de anos sem investimentos e negou relação direta com a chegada da Trivia.
Metrô permanece estatal
Tarcísio também comentou planos anteriores de repassar linhas atualmente operadas pelo Metrô à iniciativa privada, ideia descartada no fim de junho.
Ele afirmou preferir manter a estrutura pública, avaliando expandir o serviço, e reforçou que o poder concedente seguirá fiscalizando empresas privatizadas, como fez após o rompimento em maio ligado à Sabesp, quando declarou que “a mão pesada vai atuar” em caso de descumprimento de indicadores contratuais.
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