Trabalho da CPI do Crime seria melhor sem limitações impostas pelo STF, diz Moro
Parlamentar defendeu a prorrogação do prazo de funcionamento do colegiado e criticou decisões proferidas por ministros do Supremo
O senador e ex-juiz Sergio Moro (PL-PR) defendeu nesta segunda-feira, 6, em entrevista a O Antagonista, a prorrogação do prazo de funcionamento da CPI do Crime Organizado, do Senado, e disse que o trabalho do colegiado seria melhor se não houvesse limitações impostas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre elas, a anulação de quebras de sigilos e a desobrigação do comparecimento de convocados para prestar depoimento – como o ministro André Mendonça fez na semana passada com o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB).
“Eu defendo que se prorrogue a CPI do Crime Organizado, do Senado. Ela tem feito um bom trabalho. Evidentemente seria melhor se não houvesse limitações que estão sendo impostas por liminares de alguns ministros do STF. O objetivo ali é apurar o crime organizado, mas também sua conexão com o mundo das finanças. E aí se tem essa ponta da Reag Investimentos e também com o Banco Master. E essas conexões suspeitas entre o Daniel Vorcaro com ministros do STF“, afirmou o senador do PL.
“Isso tudo tem que ser apurado. Ninguém está acima da lei. E a CPI precisa de mais tempo. Mas mais do que tempo, precisaria poder desenvolver o seu trabalho com a liberdade necessária para que não seja aí tolhida de realizar as diligências para conhecimento da verdade, por conta de corporativismo ou por formalismos desnecessários”.
O parlamentar prosseguiu: “Todas essas quebras [de sigilos] têm sido decretadas, inclusive envolvendo a compra do Resort Tayayá, todas elas têm causas e fundamentos. Então, é injustificável que o instrumento das CPIs, que é tão importante para o nosso país, seja aí esvaziado“.
O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou nesta segunda o requerimento de prorrogação do colegiado. O pedido é assinado por 28 parlamentares no total, incluindo Moro, que é membro titular da CPI.
A CPI investiga a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no país. Ela tem buscado avançar na apuração das fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Atualmente, o prazo de funcionamento do colegiado vai até 14 de abril. A prorrogação, porém, depende de ato do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Por enquanto, Alcolumbre não deu qualquer indicativo de que vai acatar o pedido dos senadores e prorrogar a comissão.
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Comentários (1)
Marcos
06.04.2026 15:33SE ESSAS LIMITAÇÕES SÃO ACEITAS PELO CONGRESSO É PORQUE ELAS SÃO CORRETAS, CASO CONTRÁRIO SERIAM CONTRA A CONSTITUIÇÃO E O CONGRESSO NÃO ACATARIA AS ORDENS.