Lula arrebentou com os pobres; pela terceira vez
Quando a economia cresce apenas com crédito, sem investimento, produtividade e poupança, o consumo avança antes da capacidade de sustentação
“Lula arrebentou com os pobres”. Por duas vezes escrevi textos com estes títulos. Basta uma rápida busca pela internet. A primeira foi em 2016, em plena recessão de Dilma Rousseff, a nossa eterna estoquista de vento, que herdou dos governos Lula I e II uma situação fiscal pré-falimentar e inadimplência explosiva. A segunda foi em 2021, quando em campanha rumo a Lula III, prometia mais gastança e assistencialismo sem lastro.
A frase, eu sei, incomoda quem comunga das políticas assistencialistas e eleitoreiras do lulopetismo, e que acusa de “não gostar de pobre” todos que defendem equilíbrio fiscal e menor expansão do crédito. Ainda assim, descreve com precisão um padrão que se repete com consistência quase mecânica. Essa turma jamais teve um plano robusto de crescimento sustentado e distribuição de renda eficaz.
Lula III voltou ao ponto em que sempre se sentiu confortável: crescimento puxado por consumo, irrigado por transferência de renda fugaz e sustentado por crédito farto. No curto prazo, funciona. Os dados mostram isso com clareza. Mas mostram também o limite. É o chamado “voo de galinha”. Só que, dessa vez, a galinha não apenas não decolou como – ao menos parece – a população não se comoveu, eleitoralmente falando.
Números não mentem
Em 2025, o PIB cresceu cerca de 2,3%, segundo o IBGE. O número sugere dinamismo. A decomposição, porém, revela outra história. O avanço veio principalmente do consumo das famílias, com apoio relevante do gasto público, enquanto o investimento perdeu tração e a taxa de formação de capital permaneceu baixa – 16% a 17% do PIB. A economia até gira, mas não acumula capacidade produtiva na mesma proporção.
Essa escolha não é nova. Já foi feita antes. Na crise de 2008, tratada como “marolinha”, a resposta foi expandir crédito, reduzir impostos sobre bens duráveis e estimular o consumo. A lógica reaparece agora com pequenas variações, mas com a mesma essência: transferência de renda com ampliação do crédito, seja consignado, antecipação de FGTS, novas linhas para trabalhadores formais etc.
O mecanismo, repito, é conhecido. Coloca-se renda artificial na base, ativa-se a demanda reprimida e produz-se crescimento imediato (e inflação). O problema não está no consumo em si, que até é desejável quando sustentável, mas no fato de se tornar o eixo exclusivo da expansão – sobretudo, financiado. Sem falar no efeito inflacionário, que acaba anulando os benefícios falsamente vendidos como “milagre do crescimento”.
Pobres e endividados
O próprio discurso político ajuda a expor a engrenagem falaciosa. Ao longo dos anos, celebrou-se a inclusão de milhões de brasileiros no sistema financeiro como sinônimo de progresso. A inclusão ocorreu, é fato. O ponto negligenciado é outro: em um país de juros estruturalmente elevados e baixa poupança interna, entrar no sistema financeiro significa, na prática, acessar crédito caro e não acumular patrimônio.
A passagem do “zero a zero” – não ter patrimônio nem dívida – para o endividamento sem lastro e sem patrimônio, com bens que se depreciam e se perdem, não é desvio-padrão de um plano de médio e longo prazos. É a consequência direta de um modelo errado. Os dados recentes deixam isso evidente. Mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O Banco Central, nesse sentido, aponta comprometimento de renda próximo de 30% e endividamento em torno de metade da receita anual. Parcela relevante dos ganhos nasce comprometida antes de chegar ao consumo. A sensação de empobrecimento em meio a indicadores positivos não é mera percepção distorcida. É reflexo direto dessa dinâmica: a renda entra, mas é absorvida pelo serviço da dívida.
Círculo vicioso
O crédito sustenta o consumo, mas o custo do crédito corrói a renda. O próprio BC reconhece a relação entre política fiscal, risco e nível de juros. O setor público segue operando com déficit e a dívida bruta se aproxima de 80% do PIB, em trajetória de alta. Não é só um detalhe técnico, pois é justamente o que define o preço do dinheiro e a montanha de juros paga pelos cada vez mais inadimplentes.
Forma-se, então, um circuito fechado. O governo estimula o consumo por meio de transferência precária de renda e expansão artificial do crédito. O desequilíbrio fiscal mantém os juros elevados. Os juros encarecem o crédito que sustenta esse consumo. E o consumo já nasce comprometido por esse mesmo custo. Diante desse quadro, o governo passou a discutir intervenções sobre o crédito – outra vez!
A ideia é mexer no custo mais caro do sistema, o rotativo do cartão, cujas taxas superam 400% ao ano. A intenção é impor limites ou mecanismos de controle. Só que não adianta estruturar um modelo baseado em crédito, sustentar déficits que pressionam juros e, depois, tentar conter o efeito com intervenção pontual. O rotativo é apenas a ponta. Limitar a taxa não altera o modelo que empurra milhões de brasileiros para ele.
Filme repetido
Quando a economia cresce apenas com o crédito, sem base em investimento, produtividade e poupança, o consumo avança antes da capacidade real de sustentação. A melhora até aparece, mas não se sustenta. O estoque (dívida, juros, compromissos etc.) cresce mais rápido que o fluxo de renda. O resultado é conhecido. A economia parece melhorar, mas a vida financeira das famílias se deteriora ano após ano.
Crescimento consistente exige poupança interna, investimento privado e ganhos de produtividade. O Brasil do lulopetismo – mais uma vez! – segue com taxa de investimento baixa, poupança insuficiente e produtividade estagnada. Mas, ainda assim, insiste em tratar o consumo financiado como motor principal. Chamam isso de inclusão. Na prática, é apenas antecipação de renda (insuficiente) a juros elevados.
Lula arrebentou com os pobres. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. E não sou eu que digo. São os números. E, ao que tudo indica, continua acreditando na mesma lógica. Só este ano, são previstos mais de 400 bilhões de reais em “estímulos” travestidos de programas sociais com cheiro de “compra de voto”. Vai funcionar? Eleitoralmente, não sei. Socioeconomicamente? Não. Quem disse? Repito: os números.
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Comentários (2)
Angelo Sanchez
01.04.2026 14:26O PT sobrevive da compra de votos, a prova foi a eleição de um corrupto "descondenado", os pobres, vulneráveis e miseráveis que vivem de esmolas governamentais são os eleitores de PT, não importa se o candidato é corrupto ou não.
Claudemir Silvestre
01.04.2026 12:59Ninguém que votou em LULA pode alegar desconhecimento ou surpreso !! Votaram sabendo exatamente oque Lula é: Incapaz, Mentiroso, Desonesto e com idéias ultrapassadas !!