Para Lula, culpa do endividamento brasileiro é dos “cachorrinhos”
Em fábrica em Goiás, presidente aponta consumo das famílias como “sequestro dos nossos salários” e barreira eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 26, que os brasileiros gastam em excesso com animais de estimação, e que a China “não deve ter esse problema” — comentário feito diante de representantes chineses durante evento em uma fábrica de automóveis em Anápolis (GO).
A fala gerou risos na plateia. A referência à China é interpretada como alusão ao consumo de carne de cachorro em algumas regiões do país, prática que, embora cada vez mais contestada localmente, ainda ocorre em certas regiões.
“Agora quem tem um cachorrinho tem que levar no dentista para cuidar da boca dele. Ninguém aceita que a gente dê mais resto de comida. Era fácil pegar resto da comida e colocar para o cachorro lá fora. Agora não, agora os cachorrinhos querem dormir com a gente”, completou.
Para Lula, o conjunto dessas despesas representa o que ele chamou de “sequestro dos nossos salários”.
Pequenos gastos, grande problema
Lula elencou uma série de despesas que, somadas, comprometem o orçamento dos trabalhadores: compras de roupas pela internet, uso do Pix, cartão de crédito e, no caso dos pets, até consultas odontológicas para os animais. Para o presidente, a ausência do dinheiro físico nas transações cotidianas contribui para que o consumidor perca o controle dos gastos.
“Quando tem uma nota de R$ 100, a gente não quer nem trocar, quer ficar com ela na carteira. Mas agora a gente não precisa mais de dinheiro. É tudo no tal do Pix. É tudo no cartão de crédito. A gente não vê. E quando a gente não vê o dinheiro, a gente gasta”, disse Lula.
Economia como variável eleitoral
O discurso em Anápolis não foi espontâneo: o Palácio do Planalto acompanha com atenção os índices de endividamento das famílias e sua relação com a popularidade do governo.
Lula disputará a reeleição em outubro de 2026 e, segundo pesquisa AtlasIntel-Bloomberg divulgada na quarta-feira, 25, aparece tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno — 46,6% contra 47,6%.
O presidente pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que elabore propostas para reduzir o endividamento da população. Entre as medidas cogitadas, está uma campanha de comunicação para orientar trabalhadores sobre gestão financeira. Mudanças nas taxas de juros do cartão de crédito também estão no horizonte das discussões.
Lula reconheceu que os indicadores econômicos do país são positivos, mas admitiu que há desconfiança na sociedade. Usou uma metáfora esportiva para ilustrar o impasse: “O time ganhou, mas alguma coisa está errada. Não deu o espetáculo que eu queria”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Marian
26.03.2026 18:51Que horrível. Que pesadelo. Quando iremos acordar?
Andre Luis dos Santos
26.03.2026 18:28PQP 🤬 As falas desse sujeito so pioram. O Duda Teixeira vai ter que gerar novas edições do Livro Vermelho a cada semana. E só merda que esse cara diz. E, sobre educação financeira Seo "Presidente", isso deveria ser tema da educação fundamental ou, pelo menos em algum ano do ensino médio. Mas não, os comunistas do MEC jamais vão querer que temas "mundanos" como esse façam parte do currículo das escolas, não é mesmo? Va pra PQP!!! 🤬