Mais um processo sob sigilo máximo no STF
Investigação sobre vazamento de dados de autoridade ganha sigilo 4, o mesmo imposto por Toffoli ao caso do Banco Master
Está preso há pouco mais de uma semana o contador Washington Travassos de Azevedo, sob suspeita de vazar dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre outras autoridades e pessoas públicas.
O Brasil só sabe que ele foi preso porque o jornal Folha de S.Paulo noticiou, já que o processo tramita sob o maior nível de sigilo no STF, sob a alegação de ter “informações sensíveis da Receita Federal e Coaf”.
É o mesmo que ocorreu no caso do Banco Master, ao qual o ministro Dias Toffoli também impôs o nível 4 de sigilo, que bloqueia a divulgação do avanço do caso e mesmo quem é o relator, sob a alegação de evitar vazamentos.
Toffoli, que é sócio de uma empresa que fez negócios com o Master, acabou deixando a relatoria sem se declarar suspeito para atuar no caso — ele só se admitiu suspeito dias depois, para não participar do julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Moraes
O relator do caso do contador é Alexandre de Moraes, que já tinha imposto medidas cautelares a quatro funcionários da Receita Federal suspeitos de vazar dados de ministros.
Os atuais níveis de sigilo no STF foram definidos na resolução 878/2025, de julho de 2025. O tribunal não informou à Folha sobre quantos processos já receberam o nível 4.
O advogado do contador preso, Eric Cwajgenbaum disse que não teve acesso a nenhuma das duas decisões sobre seu cliente, tanto a que lhe impôs usar tornozeleira eletrônica e apreendeu seu passaporte quanto à de prisão preventiva.
“Uma semana se passou sem que nenhum requerimento de acesso tenha sido respondido. O gabinete do ministro informou por email que não há disponibilidade de data para despachar e nem mesmo a decisão que decretou a prisão preventiva foi exibida. Já se vão quase três semanas sem que os meus requerimentos fossem sequer apreciados. O caso é grave. As violações de prerrogativas são muitas”, disse o defensor ao jornal.
Unafisco
O Antagonista já informou que Moraes também negou acesso ao presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, ao próprio depoimento prestado para a Polícia Federal (PF) em 20 de fevereiro.
Cabral foi convocado a dar depoimento na condição de investigado após protestar contra a decisão de Moraes que impôs medidas cautelares aos funcionário da Receita Federal.
Em entrevista ao programa Meio-Dia em Brasília concedida um dia antes de ser chamado para depor à PF, o presidente da Unafisco apontou “mensagem intimidatória” na primeira decisão de Moraes.
Essa impressão parece se reforçar com o tempo.
Leia mais: O pesadelo Alexandre de Moraes
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (7)
Pedro Boer
23.03.2026 15:16Estamos venezuelando,,?
Jorge Irineu Hosang
23.03.2026 12:34Ali já não dá mais prisão nem aposentadoria!! Tem é que botar toda essa quadrilha junta e decapitar em praça pública.
Andre Luis dos Santos
23.03.2026 11:42O advogado desse sujeito faz parte daquele grupelho "Prerro"? Se faz, reclama com seus coleguinhas. Se não, queria saber desse convescote se as "prerrogativas" que eles tanto defendem só valem pra alguns ou se valem pra todos?
Marcos
23.03.2026 11:07VOU CONTAR UMA COISA QUE É SIGILO 24387. PEIDEI.
Paulo Cesar Silva
23.03.2026 10:39Estamos, sem duvida alguma, sob uma ditadura corrupta e criminosa de toga.
Eduardo Camargo de Carvalho
23.03.2026 10:33Ninguem tem coragem de prender esses bandidos de toga.
Annie
23.03.2026 10:15A que ponto chegamos ?