Empresária tem mal-estar na CPMI do INSS e é avaliada por equipe médica do Senado
Colegiado aguarda laudo oficial para decidir se seguirá com a oitiva de Ingrid Pikinskeni Morais Santos, ligada à Conafer
A empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos teve um mal-estar nesta segunda-feira, 23, durante sua oitiva na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e foi submetida a uma avaliação pela equipe médica do Senado. A CPMI agora aguarda um laudo oficial sobre o estado de saúde dela para decidir sobre eventual retomada da oitiva ainda hoje.
Ingrid Pikinskeni Morais Santos é ligada à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Ela é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Conafer – Carlos Lopes, que está foragido.
Ela foi prestar o depoimento à CPMI com um habeas corpus, concedido pelo ministro Cristiano Zanin, garantindo à empresária o direito de permanecer em silêncio nas perguntas que poderiam levar à sua autoincriminação. Na comissão, ela prestou o compromisso de dizer a verdade.
Antes de o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), começar a fazer as perguntas a ela, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ressaltou que Cícero Marcelino – que se encontra preso preventivamente por suposto envolvimento no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões – foi ouvido pela CPMI no ano passado.
“O seu esposo esteve aqui, prestou uma série de informações que posteriormente não se confirmaram. Pelo próprio depoimento à PF, ele fez uma série de declarações sobre pessoas a quem ele pagava, empresas que recebiam dinheiro, e aqui ele negou ao relator em vários momentos que isso tivesse acontecido. Então vou pedir à senhora, como testemunha, que, aqui perguntada, traga as mesmas informações que o esposo da senhora trouxe junto à Polícia Federal”, disse Viana.
“Eu não vou conseguir trazer as mesmas informações, porque eu não entendo nada do caso, do que ele fez, do que ele deixou de fazer”, reagiu a depoente.
“Pois não, mas eu peço à senhora, por gentileza, assim, a maior proximidade possível dos fatos, porque, depois que ele esteve nesta CPMI, os fatos que foram revelados posteriormente foram muito diferentes. Então vou pedir à senhora que, por gentileza, busque, nisso, nos ajudar, ok?”, falou o senador na sequência. Ingrid concordou.
Milhões roubados
Ingrid é casada com Marcelino desde 2014. Na oitiva, ela disse, porém, que não estranhou o aumento patrimonial do marido, porque achava que ele era um empresário bem-sucedido na área de consultoria, e que não conseguiria responder sobre empresas e transferências realizadas.
“Em relação a empresas, transferências, eu não vou conseguir responder nada para vocês, porque quem geria tudo isso, como ele falou também aqui para todos vocês, era o meu esposo, inclusive até traiu minha confiança quando a PF bateu na minha porta, acordando meus filhos e constrangendo minha família. Então, para mim tudo isso aqui é uma surpresa. Inclusive, para mim, estar aqui também está sendo muito difícil, porque eu nunca imaginei passar por uma situação dessa”, afirmou.
Entretanto, Gaspar ressaltou que a depoente recebeu mais de 156 milhões de reais, por meio das empresas dela, de dinheiro roubado de aposentados e pensionistas.
Ainda segundo o relator, empresas dela e do marido estão na “teia de pagamento de propina a André Fidelis, a [Alessandro Stefanutto, a Virgílio [Antônio], à esposa de Virgilio, ao deputado federal [Euclydes Pettersen]”.
Em determinado momento, a depoente passou a fazer uso do direito ao silêncio e a chorar. Viana, então, suspendeu a sessão. Durante a suspensão, Ingrid foi encaminhada para a equipe médica do Senado.
Na retomada da sessão, com a depoente ausente, Gaspar disse que se compadecia com o estado dela, mas que não extrapolou na condução do depoimento e que não tinha como “pintar de rosa o que está bem escrito em letras que envergonham o Brasil”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)