Crise ameaça o “ouro vermelho”, a especiaria mais cara do mundo está sofrendo sua pior colheita devido às mudanças climáticas
O vale de Cachemira é o berço do açafrão indiano – conhecido como "ouro vermelho" por causa do seu preço exorbitante.
No vale de Cachemira, berço do açafrão indiano – conhecido como “ouro vermelho” por seu preço exorbitante –, agricultores como Noor Mohd Bhat, de 80 anos, vivem o desespero da pior colheita da história.
Em 2024 e 2025, a produção despencou 68% em duas décadas, com secas prolongadas reduzindo a florada para poucas horas diárias. Bhat, que cultiva desde 1947, lamenta: “O açafrãoé um dom de Deus, mas dependemos de como tratamos a natureza”.
Pampore, a uma hora de Srinagar, é o epicentro dessa cultura milenar. O açafrão (Crocus sativus), a especiaria mais cara do mundo – até US$ 1.000 por onça –, exige condições precisas: invernos frios, outonos secos e chuvas moderadas.
Origem incerta, estima-se que surgiu há 3.500 anos na Grécia ou Pérsia, via polinização cruzada. Irã domina a produção global, mas o cachemiriano se destaca pela crocina (cor), picrocrocina (sabor) e safranal (aroma), explica Shubli Bashir, doutoranda em agricultura na Universidade Sher-e-Kashmir.
Mudanças climáticas no epicentro do problema do ‘ouro vermelho’
Temperaturas outonais subiram drasticamente no Himalaia ocidental, transformando chuvas em inundações torrenciais e secas extremas. Em 2025, famílias como a de Bashir colheram apenas 6 kg em toda a temporada – contra 100 kg nos anos 90.
Pragas como porcos-espinhos, empurrados pela deflorestação, devoram os bulbos frágeis. “Nunca vi campos tão vazios”, relata Shubli, que pesquisa fotoquímicos do açafrão.
A colheita é manual e exaustiva: 50 flores rendem uma colher de chá. Famílias inteiras se unem no outono, triplicando a população local.
Mas o clima errático ameaça essa tradição sufista do século XIII, ligada a lendas de santos que trouxeram os bulbos.
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Soluções entre tradição e inovação
Agricultores adotam cultivo indoor controlado e rejuvenescimento de bulbos via rotação de culturas, sem químicos. Iniciativas governamentais testam resiliência, mas resultados virão em anos. “Precisamos mudar nós mesmos e o mundo”, diz Bhat, simbolizando a resiliência cachemiriana.
Curiosidades sobre o açafrão cachemiriano
- Preço: Até R$ 35 mil/kg no mercado premium.
- Usos: Tempero, corante e remédio (antioxidante, antidepressivo).
- Produção global: 70% no Irã; Cachemira foca em qualidade.
| Aspecto | Antes (anos 90) | 2025 |
|---|---|---|
| Colheita diária | 100 kg flores | 6 kg no total |
| Duração | Amanhecer ao anoitecer | 2 horas |
| Produção regional | Pico histórico | -68% em 20 anos |
Apesar das perdas econômicas – muitos têm profissões paralelas –, o açafrão renasce no outono, como símbolo de esperança. Shubli Bashir sonha: “Que o mundo veja Cachemira pelo açafrão, não só pelo conflito”.
Essa crise alerta para o impacto climático em cultivos raros. Fique ligado para atualizações sobre açafrão e sustentabilidade. Compartilhe nos comentários: você já experimentou o ouro vermelho?
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