Pesquisadores incrédulos! Macacos também são capazes de imaginar e simular como humanos
A ideia de que apenas humanos teriam a capacidade da imaginação vem sendo revista por novas pesquisas em primatologia e neurociência.
A ideia de que apenas humanos seriam capazes de imaginar situações ausentes vem sendo revista por novas pesquisas em primatologia e neurociência.
Estudos com grandes símios indicam que bonobos e chimpanzés conseguem representar mentalmente objetos inexistentes, acompanhar ações simuladas e distinguir entre encenações e eventos reais, aproximando-se do que chamamos de “faz de conta”.
O que é imaginação em símios na visão da ciência
No campo científico, imaginação é a capacidade de criar ou manipular representações mentais de coisas ausentes, inexistentes ou futuras.
Em símios, isso inclui acompanhar ações puramente simuladas, como servir uma bebida imaginária em copos vazios.
Essa competência envolve memória de curto prazo, atenção e uma forma básica de raciocínio abstrato. Os animais precisam manter na mente a “localização” de algo que nunca esteve ali de fato, respondendo de modo consistente acima do acaso.
macaco macaquinho macacão esfregando colocando a mão dedos no rosto face fechando serrando seus olhos transcedendo a matéria meditando alcançando a nirvana pic.twitter.com/k7nZnQn5o7
— acervo macacolândia (@acervomacaco) July 16, 2025
Como os experimentos mostram a imaginação em grandes símios
Pesquisas com chimpanzés, orangotangos e bonobos utilizam cenários simples e repetidos, como o “experimento da festa de chá”. O pesquisador finge servir suco invisível em copos transparentes e depois solicita que o animal indique onde estaria o “líquido”.
Para reduzir a chance de adivinhação, os cientistas variam posições, sequência de movimentos e registram tudo em vídeo para análise posterior.
Quando os símios apontam o copo correto com frequência bem maior que o acaso, considera-se que compreenderam a situação simulada.
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Como a ciência diferencia imaginação de confusão com a realidade
Uma questão central é mostrar que o símio não confunde o imaginário com o real.
Por isso, os protocolos incluem etapas em que alimentos verdadeiros são apresentados ao lado de versões apenas encenadas, permitindo comparar as escolhas do animal.
Para avaliar melhor essa distinção, alguns estudos utilizam listas de critérios de comportamento observável, como:
Fronteiras da Mente
Como a ciência valida a distinção entre imaginação e realidade
01 |
Prioridade Pragmática A preferência sistemática pelo alimento real em vez do simulado em contextos de necessidade biológica. |
02 |
Rastreamento Cognitivo A capacidade de acompanhar mentalmente o “caminho” de objetos imaginários em potes vazios, mantendo a lógica espacial. |
03 |
Padrão de Consistência A manutenção de respostas idênticas e coerentes ao longo de múltiplas tentativas de teste, eliminando o fator sorte ou confusão. |
Quais são as implicações evolutivas da imaginação em símios
Se grandes símios conseguem simular objetos e situações ausentes, as bases da imaginação podem ser muito mais antigas na evolução do que se pensava.
Isso sugere que o último ancestral comum entre humanos e outros primatas já possuía mecanismos cognitivos de simulação.
Em vez de uma ruptura radical entre humanos e outros animais, os dados apontam para um continuum de capacidades.
Planejar, prever e simular teriam sido gradualmente refinados, o que é investigado também pela neurociência comparada, focada em memória e raciocínio abstrato.
Quais desafios e impactos essa pesquisa traz para a conservação
A pesquisa sobre o mundo mental dos símios enfrenta desafios metodológicos, como criar tarefas compreensíveis e motivadoras sem projetar expectativas humanas.
Também é necessário ampliar o número de indivíduos e espécies estudadas, garantindo bem-estar em centros especializados.
Essas descobertas reforçam argumentos de conservação, ao evidenciar mentes complexas, capazes de simular, aprender e se comunicar.
Isso influencia debates sobre proteção de habitats, regulamentação de pesquisas e políticas públicas para preservar populações selvagens de grandes primatas.
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