Triboulet, o bobo da corte francês, e Brasília de hoje
Vivemos um momento de tal sorte autoritário nas mais altas esferas judiciais do país, que não dá para recorrer ao riso como o "melhor remédio"
Um dos maiores ganhos, senão o maior, de fazer parte da elite da comunicação brasileira é conviver de perto e aprender com tanta gente talentosa. Quem acompanha O Antagonista e a Crusoé sabe bem do que estou falando.
Há dois anos, fundei um site em Minas Gerais, O Fator, que é parceiro de O Antagonista, com foco na política regional, que logo se tornou uma espécie de fonte primária de informação dos três poderes mineiros.
Assim como no OA, temos um timaço de colunistas de opinião, dentre eles, Jorge Berg, desembargador do TRT-3, Conselheiro Benemérito do Atlético Mineiro e Adido Consular Cultural de Luxemburgo em Minas Gerais.
Berg é um craque também na literatura. Escreve artigos, crônicas e poemas desde muito jovem – e nunca parou. No O Fator, nos brinda – e a nossos leitores – semanalmente, com textos espetaculares, incrivelmente atuais.
Os reis estão nus
Nesta segunda-feira chuvosa em BH, 2 de fevereiro, primeiro dia útil do mês do carnaval, ele escreveu sobre Triboulet, o mais famoso “bobo da corte” francês, que não morreu por pouco após ridicularizar o rei.
O texto é maravilhoso e você, leitor amigo, leitora amiga, poderá se deliciar clicando aqui, após terminar esta coluna. Ao fazê-lo, tenho a mais absoluta certeza, irá imediatamente se lembrar de uma certa “corte brasileira”.
Irá correlacionar o rei francês a pelo menos dois ou três conhecidos “reis” brasucas, normalmente vestidos com longas capas pretas, munidos não de cajados reais, mas de canetas tendenciosas e autoritárias.
Rir nem sempre é a solução
A França renascentista, berço de tantas boas contribuições para humanidade, ficou séculos para trás, mas certos costumes monárquicos, não. Tem muita gente graúda hoje, em Brasília, dotada de injustificados poderes absolutistas.
Vivemos um momento de tal sorte perigoso e autoritário nas mais altas esferas judiciais do país, que não dá para recorrer ao riso como o “melhor remédio”. Ao contrário. Rir é exatamente o que não podemos admitir.
Imagino que Berg não tenha pensado nisso quando escreveu seu texto, mas que caiu como uma luva, isso não dá para negar. Ele encerra com uma pergunta: “De que adianta o poder que não suporta a verdade irreverente de uma risada?”
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Comentários (1)
Dovanil Ferraz Camargo Júnior
02.02.2026 11:14Cadê o link Ricardo?