A “firme convicção” do Copom contra a política econômica de Lula
Comitê chefiado por Galípolo tem repetido o recado sobre o "esmorecimento no esforço de reformas estruturais" desde a ata de agosto de 2023
Ao manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central expressou mais uma vez sua “firme convicção” contra a política econômica do governo Lula (PT).
“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade. O Comitê manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, afirmou o Copom, chefiado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em ata divulgada nesta terça-feira, 11.
Copia e cola de Galípolo
O recado para o governo Lula sobre o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais” é antigo e vem sendo dado nesses termos desde a ata de agosto de 2023.
A ata da reunião anterior, de junho de 2023, registrava que “o Comitê discutiu também os impactos do cenário fiscal sobre a inflação e avalia que a apresentação e a tramitação do arcabouço fiscal reduziram substancialmente a incerteza em torno do risco fiscal”.
A empolgação com o novo arcabouço fiscal não durou muito, e a ata de junho de 2023 já antecipava isso, ao dizer que “entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação” destacava-se, entre outras questões, “alguma incerteza residual sobre o desenho final do arcabouço fiscal a ser aprovado pelo Congresso Nacional e, de forma mais relevante para a condução da política monetária, seus impactos sobre as expectativas para as trajetórias da dívida pública e da inflação, e sobre os ativos de risco”.
Desde então, o Copom vem manifestando sua “firme convicção” contra a política econômica de Lula e Haddad.
Inflação em outubro
Graças ao Banco Central, que vem resistindo à pressão do governo Lula sobre os juros, o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,09% em outubro.
Dados divulgados nesta terça, 11, pelo IBGE apontam que o resultado ficou 0,39 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,48% registrada em setembro.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,73% e, nos últimos doze meses, o índice ficou em 4,68%.
Em outubro de 2024, a inflação foi de 0,56%.
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