Copia e cola de Galípolo

20.08.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

Copia e cola de Galípolo

avatar
Rodolfo Borges
5 minutos de leitura 24.06.2025 13:41 comentários
Análise

Copia e cola de Galípolo

Um trecho da ata do Copom publicada nesta terça-feira, 24, idêntico ao da ata de dezembro de 2024, comprova que nada mudou, nem no Banco Central, nem no governo Lula

avatar
Rodolfo Borges
5 minutos de leitura 24.06.2025 13:41
Copia e cola de Galípolo
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Os lulistas passaram dois anos acusando Roberto Campos Neto de sabotar a economia brasileira ao manter a taxa básica de juros elevada. Quase seis meses após o indicado de Jair Bolsonaro ter deixado a presidência do Banco Central (BC), contudo, a Selic atingiu o maior patamar em 19 anos, e como consequência de reuniões comandadas por Gabriel Galípolo (foto), indicado por Lula.

Após passar meses apontando o dedo para Campos Neto enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC seguia elevando a taxa básica de juros, Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais, e Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, nem se animam mais a remoer o clássico discurso da herança maldita, e simplesmente fingem que Galípolo não existe ao espernear.

Leia mais: Que falta faz Campos Neto

Mas o fato é que não apenas o BC segue o mesmo da época de Campos Neto, como o governo Lula também não mudou em nada sua política fiscal gastadora e irresponsável. E isso pode ser atestado por um trecho da ata do Copom publicada nesta terça-feira, 24, que é idêntico a outro trecho, publicado na ata de dezembro de 2024, quando Campos Neto ainda comandava o BC:

“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade. O Comitê, em sua análise de atividade, manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.”

Alerta antigo

Esse exato trecho também pode ser lido na ata da reunião de maio, e o alerta foi dado com as mesmas palavras, mas com algumas modificações, nas atas de janeiro e março de 2025 — em todas as ocasiões, a taxa básica de juros foi elevada.

O recado para o governo Lula sobre o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais” é ainda mais antigo e vem sendo dado nesses termos desde a ata de agosto de 2023.

Curiosamente, a ata da reunião anterior, de junho de 2023, registrava que “o Comitê discutiu também os impactos do cenário fiscal sobre a inflação e avalia que a apresentação e a tramitação do arcabouço fiscal reduziram substancialmente a incerteza em torno do risco fiscal”.

A empolgação com o novo arcabouço fiscal não durou muito, como se vê, e a ata de junho de 2023 já antecipava isso, ao dizer que “entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação” destacava-se, entre outras questões, “alguma incerteza residual sobre o desenho final do arcabouço fiscal a ser aprovado pelo Congresso Nacional e, de forma mais relevante para a condução da política monetária, seus impactos sobre as expectativas para as trajetórias da dívida pública e da inflação, e sobre os ativos de risco”.

Uma boa notícia

Não há nada de errado na repetição da mensagem do BC. Pelo contrário: é um dever dos técnicos alertar para os problemas. Errado é o governo Lula simplesmente ignorar os avisos há dois anos e seguir pressionando para cima a inflação e, junto com ela, a taxa básica de juros.

Ao mesmo tempo, os governistas fingem não ter nada a ver com a alta na taxa de juros e, ainda por cima, esperneiam na esperança de que o BC derrube a Selic artificialmente, para aquecer a economia e projetar sentimento de bem-estar, por alguns votos para Lula — sempre ao custo do futuro do país.

A manutenção da rigidez do BC na política monetária é um alento para o Brasil durante um governo totalmente descompromissado com o equilíbrio fiscal. É importante destacar também que o Copom é um colegiado, e que o presidente do BC não toma suas decisões sozinhos, ao contrário do que Lula tentava convencer o país durante os anos de Campos Neto.

O comitê, aliás, tem tomado decisões unânimes desde a gestão passada, o que demonstra unidade e dá mais peso às suas decisões. Diante de um governo irresponsável e boquirroto como o de Lula, isso é essencial para evitar que a economia brasileira saia dos trilhos de vez.

Leia mais: Um pedido (repetido) do Copom ao governo Lula

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Ministros do TSE indicam que devem tirar Marçal da disputa presidencial

Ministros do TSE indicam que devem tirar Marçal da disputa presidencial
2

Dino, Moraes e os blogueiros do PCC

Dino, Moraes e os blogueiros do PCC
3

Crusoé: O avanço do candidato de Eduardo Bolsonaro ao Senado

Crusoé: O avanço do candidato de Eduardo Bolsonaro ao Senado
4

Tarcísio tem 50% dos votos no 1º turno, indica Paraná Pesquisas

Tarcísio tem 50% dos votos no 1º turno, indica Paraná Pesquisas
5

Por que a amiga de Lulinha ‘abandonou’ a mansão em Brasília?

Por que a amiga de Lulinha ‘abandonou’ a mansão em Brasília?
6

Candidato por SC, Carluxo posta foto no RJ e diz estar no “melhor lugar do mundo”

Candidato por SC, Carluxo posta foto no RJ e diz estar no “melhor lugar do mundo”
7

MPE defende elegibilidade de Deltan para eleições de 2026

MPE defende elegibilidade de Deltan para eleições de 2026
8

Uma mansão para Lulinha e sua amiga lobista em Brasília

Uma mansão para Lulinha e sua amiga lobista em Brasília
9

Gaspar, o coringa de Flávio no caso Lulinha

Gaspar, o coringa de Flávio no caso Lulinha
10

STF mantém suspensão de multas da NR-1

STF mantém suspensão de multas da NR-1
1

Flávio Bolsonaro é "grave risco institucional", diz Haddad

Flávio Bolsonaro é "grave risco institucional", diz Haddad
2

Lula diz que quer viver 120 anos para ver submarino nuclear pronto

Lula diz que quer viver 120 anos para ver submarino nuclear pronto
3

Crusoé: Delcy Rodríguez abandona Maduro à própria sorte

Crusoé: Delcy Rodríguez abandona Maduro à própria sorte
4

Justiça do Trabalho manda Casas Bahia reverter demissões

Justiça do Trabalho manda Casas Bahia reverter demissões
5

Candidato por SC, Carluxo posta foto no RJ e diz estar no “melhor lugar do mundo”

Candidato por SC, Carluxo posta foto no RJ e diz estar no “melhor lugar do mundo”
6

MPE defende elegibilidade de Deltan para eleições de 2026

MPE defende elegibilidade de Deltan para eleições de 2026
7

Tarcísio tem 50% dos votos no 1º turno, indica Paraná Pesquisas

Tarcísio tem 50% dos votos no 1º turno, indica Paraná Pesquisas
8

Dino, Moraes e os blogueiros do PCC

Dino, Moraes e os blogueiros do PCC
9

Crusoé: O avanço do candidato de Eduardo Bolsonaro ao Senado

Crusoé: O avanço do candidato de Eduardo Bolsonaro ao Senado
10

Fachin retira de pauta definição sobre comando do governo do RJ

Fachin retira de pauta definição sobre comando do governo do RJ
1

MPE pede à Justiça que barre candidatura de Marçal

MPE pede à Justiça que barre candidatura de Marçal
2

Valdemar atribui crescimento de Flávio a Michelle: “Paz na família”

Valdemar atribui crescimento de Flávio a Michelle: “Paz na família”
3

Marçal chama Renan Santos de ‘Lula 2.0’ após ser criticado

Marçal chama Renan Santos de ‘Lula 2.0’ após ser criticado
4

Caiado evita tomar posição sobre fim da escala 6×1

Caiado evita tomar posição sobre fim da escala 6×1
5

Zema propõe idade mínima de 60 anos para indicados ao STF

Zema propõe idade mínima de 60 anos para indicados ao STF
6

Marçal afirma que Bolsonaro é injustiçado e promete dosimetria se for eleito

Marçal afirma que Bolsonaro é injustiçado e promete dosimetria se for eleito
7

Advogado de Lulinha se reúne com Lula

Advogado de Lulinha se reúne com Lula
8

‘Vivemos uma juristocracia’, afirma Pablo Marçal sobre decisões Judiciário

‘Vivemos uma juristocracia’, afirma Pablo Marçal sobre decisões Judiciário
9

Bancários decretam paralisação nacional de um dia

Bancários decretam paralisação nacional de um dia
10

“Vai ter que me prender para me calar”, diz Malafaia sobre Moraes

“Vai ter que me prender para me calar”, diz Malafaia sobre Moraes

Tags relacionadas

Banco Central Gabriel Galípolo taxa básica de juros
< Notícia Anterior

De graça? Estas cidades da Alemanha estão dando estadia a quem topar recomeçar

24.06.2025 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Ministro de Israel diz que judeus devem sair do Reino Unido e da Bélgica: “Já caíram”

24.06.2025 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.