Copom mantém taxa Selic em 15% ao ano
Por unanimidade, colegiado decide manter postura cautelosa diante de cenário econômico
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros, a Selic, no patamar de 15% ano.
A decisão unânime, anunciada nesta quarta-feira, 5, marca a terceira vez consecutiva em que o colegiado decide preservar os juros nesse patamar.
“O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz trecho.
O BC avalia “que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”
“O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, acrescenta.
O BC também atualizou as projeções oficiais para a inflação. No novo horizonte de referência, que vai até o segundo trimestre de 2027, a expectativa é de 3,3%. No Copom anterior, o foco era o primeiro trimestre daquele ano, com previsão de 3,4%.
Para o fim de 2025, a projeção caiu de 4,8% para 4,6%, ainda acima do teto da meta (4,5%). Para 2026, a estimativa foi mantida em 3,6%.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
Esperneio
O presidente Lula (PT) cobrou, em 20 de outubro, uma redução na taxa de juros, a Selic, por parte do Banco Central (BC).
“E aí, Haddad, cai nas nossas costas, porque o Banco Central vai precisar começar a baixar o juro, porque todo mundo sabe o que nós herdamos e todo mundo sabe que nós estamos preparando este país para ter uma política monetária mais séria”, afirmou Lula durante cerimônia de lançamento do programa Reforma Casa Brasil.
Em 7 de outubro, a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, esperneou contra o economista Armínio Fraga após o ex-presidente do Banco Central dizer que a política fiscal do governo Lula é “suicida”.
Mais uma vez, a petista reclamou dos “juros estratosféricos”, sem citar o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado por Lula.
“O economista Armínio Fraga, que já defendeu até o congelamento do salário mínimo para cortar gastos do governo, agora quer um ‘cavalo de pau’ na política fiscal que ele chama de “suicida”. E ainda diz que a Selic a 15% é apenas ‘um sintoma’ da questão fiscal, quando na verdade é a causa principal do aumento da dívida pública.
É bem diferente do que pensa a economista Teresa Ter-Minasian, do FMI, a quem Armínio tinha de prestar contas quando foi presidente do BC. ‘Não acho que o Brasil tenha risco de crise fiscal nos próximos tempos. O que me preocupa é o fato de os juros continuarem ocupando uma parcela muito grande do espaço fiscal’, disse ela ao jornal ‘O Público’, de Lisboa.
Nada justifica os juros estratosféricos, muito menos o terrorismo fiscal. Quem hoje fala em crise fiscal e cobra corte de gastos deve ser lembrado do que aconteceu no governo em que Armínio Fraga presidiu o BC: a carga tributária subiu de 26% do PIB para 32%, a dívida pública passou de 35% do PIB para 60% e o país sofreu com recorde de juros reais.”
Leia mais: Gleisi reclama de “juros estratosféricos” sem citar Galípolo
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Comentários (1)
Marian
05.11.2025 20:57Alguma crítica? rs