A insegurança de Lula

26.06.2026

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O Antagonista

A insegurança de Lula

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Rodolfo Borges
6 minutos de leitura 29.10.2025 16:13 comentários
Análise

A insegurança de Lula

A impressão é de que o governo Lula está mais preocupado em preservar a imagem do presidente do que em resolver o problema da segurança pública

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Rodolfo Borges
6 minutos de leitura 29.10.2025 16:13 comentários 4
A insegurança de Lula
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A megaoperação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro chamou a atenção do país mais uma vez para a força e a expansão das facções criminosas no Brasil.

Há algumas semanas, uma outra operação, a Carbono Oculto, desvelou a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na adulteração de combustíveis, cujos ganhos eram mascarados por investimentos no mercado financeiro por meio de uma estrutura não fiscalizada de fintechs.

A atuação do crime organizado também tem perturbado especialmente as autoridades do Ceará, mas um levantamento publicado pelo jornal O Globo em agosto mapeou a existência de 64 facções no país, com atuação em todas as unidades da federação, em maior ou menor grau.

Governo Lula

O problema é histórico, mas destaca-se, hoje, a timidez do governo Lula (foto) em relação ao assunto.

O Palácio do Planalto patrocinou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre segurança pública que, na prática, tiraria dos estados a autonomia para cuidar de seu próprio território.

Os governadores chiaram e o governo surgiu, agora, com um projeto de lei para tentar dificultar a vida das facções a proposta ainda está sob análise da Advocacia-Geral da União (AGU).

Os sinais do governo Lula no enfrentamento ao crime organização são, contudo, ruins.

O Planalto resiste em classificar as facções como terroristas, na contramão dos vizinhos Argentina e Paraguai, com o receio de uma possível interferência americana como se isso dependesse do que o Brasil considera terrorismo.

Terrorismo

Segundo o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, a classificação de grupos como CV e PCC como terroristas pode ajudar “principalmente no que se refere ao fluxo de informações”, mas também tem um valor simbólico importante.

“Entendendo o Comando Vermelho, o Terceiro Comando, ADA [Amigos dos Amigos], PCC como grupos terroristas, a polícia brasileira que conecta a ATF [agência policial nacional do Departamento de Justiça] nos Estados Unidos, a DEA [Departamento de Repressão a Drogas dos EUA], ao FBI, a Interpol e ela consegue obter informações instantâneas de fluxos de dinheiro, e também informações instantâneas sobre sobre onde esses bandidos estão andando, se eles estão embarcando num avião na Europa, se eles estão retornando para o Brasil, se eles estão atravessando uma fronteira seca. Então, na prática, isso desburocratiza a ação policial”, disse Pimentel em entrevista ao Papo Antagonista, completanto:

“Entender que essas facções são grupos terroristas é importante demais. Uma ação criminosa, normalmente, em qualquer lugar do mundo, ela busca dinheiro. Um rouba banco, um sequestro. As ações desencadeadas hoje pelo Comando Vermelho e pelo PCC, em parte, são ações para espalhar o terror, o medo, para impactar e facilitar o domínio do território. Não faz o menor sentido o Comando Vermelho fazer o que ele fez hoje [terça-feira, 28]. Ele mandou fechar várias avenidas no Rio de Janeiro. Foram vários carros queimados, ônibus obstaculando vias de acesso, milhões de cariocas hoje vão chegar tarde na sua casa, a exemplo do que fez o Zinho em 2023. O miliciano Zinho queimou 37 ônibus e impediu que um milhão de pessoas chegassem em suas casas. Evidente que essa ação não tem o interesse de buscar dinheiro, é uma ação para colocar o Estado de joelho, para que o Estado desista da sua capacidade de enfrentar o crime. Em qualquer lugar do mundo, essa ação seria entendida como uma ação de terror e leis mais severas seriam estabelecidas.”

Onde está Lula?

O fato é que não há firmeza no governo federal contra as facções. Pelo contrário.

Lula disse, durante viagem à Indonésia, que “traficantes são vítimas dos usuários também”. O petista afirmou, depois, que a declaração foi “mal colocada”, mas ela marcará seu terceiro mandato.

Nesta quarta-feira, 29, após reunião com a cúpula do governo no Palácio da Alvorada, o presidente não apareceu para falar.

Coube ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, dizer que “o presidente Lula ficou estarrecido com o número de ocorrências fatais que se registraram no Rio de Janeiro”.

“Também, de certa maneira, se mostrou surpreso que uma operação desta envergadura fosse desencadeada sem o conhecimento do governo federal, sem nenhuma possibilidade de o governo federal poder, de alguma forma, participar com os recursos que tem, sobretudo com informações, sobretudo com recursos logísticos”, seguiu Lewandowski, antes de dizer que irá ao Rio de Janeiro acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para “verificar como podemos apoiar” o estado.

Talvez por tudo isso 45,8% dos consultados pelo instituto Paraná Pesquisas tenham dito que a situação da segurança pública no Brasil piorou com Lula no governo.

Desgovernados

A impressão das primeiras reações de Lewandowski à operação no Rio de Janeiro é de que o governo está mais preocupado em não machucar a popularidade do presidente do que em combater as facções criminosas aliás, Sidônio Palmeira, da Secom, estava na reunião sobre o assunto.

É o mesmo que o governo tem feito com a economia brasileira: sem disposição para fazer as reformas necessárias, vai aumentando a arrecadação e prometendo benesses a grupos específicos, como vale gás e isenção de Imposto de Renda, enquanto pressiona pela derrubada da taxa básica de juros, para passar a impressão de que está tudo bem e tentar chegar eleitoralmente vivo em 2026.

Enquanto o governo Lula se preocupa em cuidar da própria imagem, o Brasil está à mercê das facções criminosas, que expandem os territórios dominados.

E mais: o discurso de soberania nacional alimentado após a imposição do tarifaço por Donald Trump, e incentivado pela família Bolsonaro, perde o sentido diante do fato de que o verdadeiro desafio à soberania está dentro do próprio país.

Leia mais: Cadê Lula? É Sidônio quem governa o Brasil?

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (4)

Alberto de Araújo

29.10.2025 18:41

O que me surpreende é o Lula ou Lewandowski, não declarar Bolsonaro o culpado. Quanto ao Lula sempre preocupado em se reeleger, não me causa espanto. Não mudou nada. É o mesmo metalúrgico quando foi eleito pela primeira vez. Fez de tudo para sua reeleição. Lula é populista da cabeça aos pés. não defende o interesse do estado mas sim seu projeto político. A prova disso é o escândalo de Odebrecht financiando petistas nas eleições. Lula foi condenado por corrupção. Não foi inocentado. As provas contra ele são incontestáveis. Foi posto em liberdade pelo stf, numa trama para tirar o Bolsonaro do cenário político.


Marian

29.10.2025 18:07

Devemos contar com os Americanos e agora Hermanos, que reconhecem a presença não de vitimas ou trabalhadores do tráfico, mas de terroristas que estão se alastrando no país e no mundo.


Maria Alice da Gama d'Eça de Oliveira

29.10.2025 18:07

Brasileiro nunca viveu, efetivamente, num estado de guerra nos novos tempos, e além de ser um povo excessivamente acomodado e conformado com qualquer desgraça, ainda não acordou que vivenciamos o pior tipo de guerra. Ou a policia e o desgoverno para de tratar bandido como vitima da sociedade, ou a sociedade, real vítima do crime, vai cansar, e alem de cobrar nas eleições os politicos, em determinado momento vai passar a fazer justiça com as próprias mãos


Maglu Oliveira

29.10.2025 17:00

O partido do amor até hoje só mostrou amor pelos bandidos. Será por quê?


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