CPMI do INSS pede dados do Coaf sobre advogado Eli Cohen
Comissão aprovou requerimentos de Soraya Thronicke e Paulo Pimenta; oposição se posicionou contra os pedidos dos parlamentares
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira, 16, requerimentos para que seja solicitado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) o envio ao colegiado Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do advogado Eli Cohen.
Cohen foi responsável pelas investigações particulares iniciais que culminaram na deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), e prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no dia 1º de setembro.
Os requerimentos são de autoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) e do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), coordenador da base governista na comissão. O governo, portanto, foi favorável aos pedidos, mas o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) orientou voto contrário.
“No curso dos trabalhos desta Comissão, surgiram informações que indicam risco de interferência política e tentativa de coação sobre depoentes, conforme reportado em matéria intitulada ‘Uma ajuda do PL a um depoente na CPMI do INSS’, publicada no blog Lauro Jardim do O Globo. Tal alegação reforça a necessidade de profundidade investigativa sobre o papel de operadores que podem atuar nos bastidores, articulando apoio ou favorecimento que comprometam a independência do processo”, afirma Pimenta na justificativa do seu requerimento.
“Ainda, reportagem de hoje, 07/10/2025, do Poder 360, ‘Pivô da CPI do INSS sugere em áudio suborno por silêncio’, teve acesso e publicou um áudio de uma conversa do Sr. Cohen, já periciado para confirmação da autoria, em que ele afirma ter proposto vender seu silêncio e cobrado dinheiro de [Maurício] Camisotti“.
Pimenta prossegue: “Ao longo do áudio publicado, que dura quase 40 minutos, há vários trechos da conversa que sugerem que ele pode ter mentido em seu depoimento nesta CPMI em 01/09/2025. Assim, o Senhor Eli Cohen ressurge como uma figura com possível envolvimento no esquema de fraudes que atingiu o INSS, sendo importante apurar ainda se ele tem ligações financeiras com os investigados, diante das informações reveladas na reportagem”.
O depoimento de Cohen
Em seu depoimento à CPMI, Eli Cohen disse que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“, fornecia dados de aposentados e pensionistas ilegalmente à Ambec, Cebap e Unsbras, para que elas fizessem descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Ambec, Cebap e Unsbras são apenas três das entidades que teriam realizados descontos associativos não autorizados no país nos últimos anos. Segundo Cohen, por trás das três está o empresário Maurício Camisotti, que controla as empresas do Total Health Group (THG).
“O Careca funcionava como alimentador de dados e de lobby dentro do INSS para todas as associações, inclusive a Ambec. Ganhava 27,5% para fazer isso“, declarou.
Os descontos irregulares ocorriam por meio de adesões com assinaturas falsas, ligações montadas e outros métodos.
“Esse crime não poderia ter sido realizado se você não tivesse o presidente do INSS no seu bolso, todo o departamento de benefícios do INSS e, na minha opinião, que eu tenho certeza que os senhores vão chegar lá, o ministro da Previdência”, disse Cohen.
Conforme o advogado, o Careca tinha o controle do departamento de benefícios. Ele ressaltou ainda que Camisotti é o “capo” da Ambec, Cebap e Unsbras, mas não de toda a fraude. “Precisamos achar os outros Maurícios e os outros Carecas“.
Segundo Cohen, o modelo de fraude, explicado por ele, envolvendo essas três entidades é o mesmo utilizado por todas as demais associações que fizeram descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
“Só mudam os personagens. O que não muda é a vítima, o aposentado, sempre é o mesmo, esse não muda, desde 2005”.
Em determinado momento do depoimento, ele chegou a acusar o Banco Master, BMG e PicPay de fazerem fraudes em débitos consignados também.
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