STF suspende leis que restringem ideologia de gênero em escolas
"Preservar a infância não significa esconder a realidade, omitir informações sérias e corretas sobre identidade de gênero", afirmou Alexandre de Moraes
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, na quarta-feira, 15 de outubro, legislações municipais que restringiam o ensino de conteúdos relacionados à identidade de gênero e orientação sexual nas cidades de Tubarão, em Santa Catarina, e Petrolina e Garanhuns, ambas em Pernambuco.
A medida foi resultado do julgamento de duas ações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo partido PSOL.
As leis em questão tinham como objetivo proibir a inclusão da ideologia de gênero nas disciplinas obrigatórias, assim como a utilização de materiais didáticos e a presença desses conteúdos nos ambientes escolares.
Durante as deliberações, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou a importância do enfrentamento ao discurso de ódio direcionado à população LGBTIQIA+, defendendo que a educação deve ser um veículo para combater a discriminação:
“Ninguém defende que não se deva preservar a infância, mas preservar a infância não significa esconder a realidade, omitir informações sérias e corretas sobre identidade de gênero”, enfatizou Moraes.
O ministro Flávio Dino também se manifestou durante o julgamento, argumentando que as transformações culturais da sociedade exigem uma visão mais ampla do conceito de família.
Dino reforçou que apenas uma legislação federal pode regulamentar questões relacionadas à educação. “”O ato de ensinar e aprender é submetido a uma lei, que é a LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”, afirmou.
O ministro Nunes Marques concordou com a maioria na decisão de suspender as legislações, mas observou que a abordagem dos temas deve ser adequada à faixa etária dos alunos:
“Preservar a infância não é conservadorismo. É reconhecer que toda liberdade genuína nasce da maturidade e que apressar esse processo significa limitar a liberdade futura do adulto que essa criança se tornará”,
A questão da educação inclusiva também foi levantada por representantes do Grupo Arco-Íris, uma das principais organizações do movimento LGBTIQIA+.
O advogado Carlos Nicodemos destacou que proibições semelhantes têm sido observadas em diversos estados e municípios, ressaltando que tanto a Constituição quanto tratados internacionais garantem o direito à proteção contra discriminação.
“No Dia do Professor, é essencial debater iniciativas legislativas que possam impactar a liberdade pedagógica e promover uma educação mais diversa e inclusiva”, concluiu Nicodemos.
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