A estupidez autoritária da ideologia de gênero já foi longe demais A estupidez autoritária da ideologia de gênero já foi longe demais
O Antagonista

A estupidez autoritária da ideologia de gênero já foi longe demais

avatar
Catarina Rochamonte
6 minutos de leitura 10.06.2024 16:02 comentários
Análise

A estupidez autoritária da ideologia de gênero já foi longe demais

É estarrecedor o grau de servilismo ideológico das mais diversas instituições e dos mais diversos setores a uma militância identitária autoritária que quer impor sua visão amalucada de mundo modificando a linguagem, censurando palavras e criminalizando opiniões

avatar
Catarina Rochamonte
6 minutos de leitura 10.06.2024 16:02 comentários 9
A estupidez autoritária da ideologia de gênero já foi longe demais
Reprodução/X

A fim de manter a cobertura dos jogos olímpicos de Paris sob o cabresto do politicamente correto, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anexou ao documento “Gender-equal, fair, and inclusive representation in sport páginas de orientações específicas para o trato dos jornalistas com relação a atletas transgêneros, não binários e intersexo.

O documento dá a entender, no início, que a mulher é o foco principal das orientações para uma cobertura jornalística mais equilibrada e equânime, com quebra de estereótipos e de preconceitos. Avançando um pouco na leitura, porém, descobrimos que o documento abrange “as mulheres em toda a sua diversidade”, incluindo e focando as mulheres trans, isto é, os homens, que não deverão ser chamados de homens e que deverão ter toda a cobertura generosa dedicada às mulheres.

Isso ilustra como as políticas de igualdade de gênero, que visavam antes combater as disparidades de tratamento entre mulheres e homens, foram capturadas pela militância LGBTQIA+, a despeito das injustiças que essa captura acarreta para as mulheres.

Com o pretexto de “oferecer algumas definições-chave, boas práticas e considerações para promover uma comunicação mais precisa, responsável, respeitosa e inclusiva” o COI impõe à cobertura dos jogos uma linguagem identitária que vai até o extremo de orientar a negação deliberada da realidade.

Classificar atletas mulheres trans como “biologicamente homem” é considerado “problemático” no relatório do COI; os termos “nascido homem” ou “geneticamente homem” também são rechaçados: “é sempre preferível enfatizar o gênero real de uma pessoa em vez de potencialmente questionar sua identidade ao se referir à categoria de sexo que estava registrada em sua certidão de nascimento original”, explica o documento.

Que vocabulário sobra para o comentarista esportivo que quiser informar que a pessoa que porventura venceu outras mulheres em uma prova de levantamento de peso ou outra prova qualquer é, na verdade, um homem? Nenhum. Inclusive há uma diretriz para que se substitua a expressão “identifica-se como mulher” por simplesmente “é mulher.”

Paradoxalmente, esse documento cheio de clichês, que atesta servilismo à agenda radical identitária, vai na contramão das últimas decisões das principais federações olímpicas como a do atletismo, da natação e do ciclismo, que proibiram a competição, na categoria feminina, de mulheres transgênero que passaram pela puberdade masculina.

Anteriormente, o COI tinha diretrizes em vigor que permitiam que atletas trans competissem se os seus níveis de testosterona estivessem abaixo de 10 nanomoles por litro um ano antes da competição, mas a revisão das políticas para transgênero nos esportes olímpicos nos últimos dois anos acrescentou que as mulheres trans devem ter concluído a sua transição de gênero antes dos 12 anos.

Se, por um lado, essa última restrição protege as atletas contra injustiças na disputa desportiva, a própria indicação de normalização da possibilidade de transição de gênero em crianças é um atestado da falência moral de uma época.

Crianças usadas como cobaias de uma militância perversa

O ativismo trans tem empurrado, em quase todo o mundo livre, mas principalmente na Europa, crianças para tratamentos experimentais a fim de corroborar uma visão de mundo distorcida e doentia.

O suposto aumento de crianças e jovens que se identificam como trans é menos um fato empiricamente verificável ou espontâneo e muito mais o resultado da propaganda massiva e de uma educação sugestiva e indutiva que busca provocar confusões em termos de gênero no quadro do desenvolvimento infantil.

Em muitos países europeus – e de modo mais alarmante no Reino Unido – existem ativistas transexuais em todos os níveis do serviço de saúde e de educação.

Em 2019 um jovem escocês de 17 anos chamado Murray Allan foi suspenso por duas semanas da escola por afirmar que “existem apenas dois gêneros”. Na conversa, gravada por Allan, seu professor lhe disse para guardar a sua “opinião para a sua própria casa”, porque “dizer que não existe outra coisa senão homem ou mulher não é inclusivo”.

No ano passado, foi registrada e divulgada a reação histérica de uma professora de uma escola de East Sussex, condado do sudeste da Inglaterra, no Reino Unido que, ao ser confrontada por uma garota de 13 anos, que não entendia como alguém poderia se identificar como sendo do sexo oposto, respondeu de modo grosseiro que era “desprezível” afirmar que só existem dois gêneros: “Existem muitos gêneros. Há transgênero, há agênero – pessoas que não acreditam que tenham gênero algum”, explicou a educadora visivelmente irritada, ameaçando em seguida denunciar a menina a funcionários superiores.

Professores têm escandalosamente punido crianças por declararem fatos biológicos e têm abusado da sua posição como professores para promover uma ideologia nefasta, encorajando crianças vulneráveis a questionar a sua identidade de gênero. Profissionais de saúde, por sua vez, ao serem procurados pelas crianças confusas quanto ao gênero, encorajam o uso de bloqueadores da puberdade que acabam sendo um caminho irreversível até a cirurgia. É um ciclo vicioso, aberrante e criminoso que precisa acabar.

O controle da linguagem

Há poucos dias, a Sociedade Canadense do Câncer pediu desculpas por usar o termo “colo do útero” em uma página da web dedicada aos exames de câncer do colo do útero para membros da comunidade LGBTQ+. Na página, a organização afirmou reconhecer “que muitos homens trans e pessoas não binárias podem ter sentimentos confusos ou se sentirem distanciados de palavras como ‘colo do útero’”. A instituição admitiu, em uma seção intitulada “Words Matter”, que alguns membros da comunidade podem preferir usar outros termos, como “buraco frontal”.

É estarrecedor o grau de servilismo ideológico das mais diversas instituições e dos mais diversos setores a uma militância identitária autoritária que quer impor sua visão amalucada de mundo modificando a linguagem, censurando palavras e criminalizando opiniões.

Recentemente, em uma conversa com algumas pessoas lúcidas, ainda não cooptadas pela mentalidade woke que aparentemente vai conquistar o mundo, descobri que algumas escolas, aqui mesmo no Brasil, eliminaram da escolinha das crianças a tradicional festa do dia das mães, a fim de não ferir as susceptibilidades dos novos formatos de família e preparar as crianças para acolher as diferenças.

Tudo isso é uma estupidez sem tamanho. Não me ocorre outra explicação para que isso esteja sendo aceito com naturalidade a não ser constatar que o processo de estupidificação em massa promovido pela cultura woke está dando certo.

Leia mais: Wokismo – o destrutivo tsunami ideológico que ameaça o Ocidente

J.K. Rowling contra a tirania dos ideólogos de gênero

Esportes

CRICIÚMA X BAHIA: confira os horários e onde assistir ao jogo do Brasileirão

16.06.2024 15:20 2 minutos de leitura
Visualizar

Pelo menos 20 mil pessoas foram resgatadas no Rio Grande do Sul

Visualizar

CUIABÁ X FORTALEZA: confira os horários e onde assistir ao jogo do Brasileirão

Visualizar

Abraços ajudam a diminuir hormônio do estresse

Visualizar

Homens comem mais carne do que mulheres

Visualizar

VASCO X CRUZEIRO: confira os horários e onde assistir ao jogo do Brasileirão

Visualizar

Tags relacionadas

ideologia de gênero
< Notícia Anterior

Taylor Swift testemunha noivado de fãs em seu show em Edimburgo

10.06.2024 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Crusoé: Ex-Alemanha Oriental, do comunismo à direita radical em 35 anos

10.06.2024 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Catarina Rochamonte

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (9)

Everton Dos Santos Teixeira

2024-06-12 16:48:16

Parabéns, Catarina. Fico feliz em perceber que existem muitos outros que pensam como eu.


Marcia Elizabeth Brunetti

2024-06-11 10:38:14

A cultura woke está pegando força no mundo e criando um mundo paralelo. Sobre as Olimpíadas só posso dizer que um homem que tirou seu membro sexual, continua tendo estrutura corporal masculina, isto é, continuará sendo mais forte e resistente que uma mulher. Diante disso penso que os organizadores que criaram as paraolimpíadas, que criem a Olimpíada LGBTQIA+ e se acertem aí.


FRANCISCO JUNIOR

2024-06-10 21:54:34

O resumo da colunista é perfeito: "Tudo isso é uma estupidez sem tamanho."


CHRISTIANO AQUILLES

2024-06-10 21:24:37

Belo texto. Parabéns!


Rogério Schwinden

2024-06-10 20:20:16

É HOMEM OU MULHER. O RESTO É DEFICIÊNCIA. COM TODO RESPEITO AOS DEFICIENTES SURDOS, MUDOS, CEGOS E FÍSICOS.


Marcelo Augusto Monteiro Ferraz

2024-06-10 19:19:21

Quanta hipocrisia e quanto autoritarismo vêm desses grupos "woke. Uma coisa é admitir que haja, naturalmente, pessoas com orientação sexual distinta daquela que seu sexo de origem inicialmente sugere. Outra coisa é induzir ou impor com coação essa mudança de orientação às pessoas, desconhecendo-lhes no íntimo e não proporcionando-lhes liberdade de escolha, sobretudo quando trata-se de crianças, o que, no mínimo, é uma covardia, uma barbaridade! Certamente, deve haver um grande número de pessoas que, mesmo não sendo crianças, cedem a essa pressão acriticamente, temendo ser humilhadas pelo "mainstream" autoritário, temendo não serem tidas por "descoladas". Militantes Hipócritas! Ditatoriais! Como sempre, não constituem a maioria, mas sim uma minoria que, sendo barulhenta, quer se passar por tal, um ralo cardume que quer se passar por uma supercolmeia!


Jorge Alberto da Cunha Rodrigues

2024-06-10 18:29:14

Identitarismo, cultura Woke e muitas outras coisas do gênero têm inúmeros e graves defeitos. Alguns deles: sectarismo, hábito de enxergar maldade em tudo (até comportamentos e opiniões prosaicos são rotulados de homofóbicos), violação do bom-senso, negação da ciência e uso da coerção para tentar impor conceitos absurdos e muitas vezes repugnantes. Infelizmente muitas instituições brasileiras, principalmente as universidades públicas mas também parte expressiva da imprensa (vide Folha de São Paulo), adotaram com entusiasmo essas aberrações.


Maglu Oliveira

2024-06-10 17:06:29

Depois se perguntam como e por que os direitistas, melhor dizendo, os da extrema direita, estão ganhando espaço nas eleições européias. Os esquerdistas querem impor um estilo de vida que não é normal e não agrada à maioria, a mim também não. Vou continuar falando como aprendi e sempre falei: tem "xoxota" é mulher, tem "piru" é homem, quem operou tem que me mostrar no que se tornou além de todos os documentos com a nova "identificação". Aí a gente conversa sobre o assunto para entrar num acordo. O resto, os pseudos, os aproveitadores da situação me desculpem a grosseria, mas vão TODOS TNC!


Daniela Gonzalez Macedo

2024-06-10 16:49:40

Excelente texto, tremendamente lúcido. Talvez - infelizmente devemos reconhecer - lúcido demais para os dias atuais, nos quais pessoas que claramente precisam de tratamento para seu transtorno mental, ao invés de o receberem são tratadas pela sociedade como perfeitamente normais. E mimadas e reforçadas em suas questões de identidade, não podendo ser contestadas em hipótese alguma, para que sua hiper sensibilidade não seja ferida e elas possam continuar vivendo suas vidas surreais às custas de uma sociedade inteira, principalmente das crianças. Muito adequada a expressão popular: "pára o mundo que eu quero descer".


Torne-se um assinante para comentar

Notícias relacionadas

Política e linguagem: onde está o extremismo político?

Política e linguagem: onde está o extremismo político?

Catarina Rochamonte
16.06.2024 13:24 8 minutos de leitura
Visualizar notícia
A confusão sobre aborto e estupro

A confusão sobre aborto e estupro

Felipe Moura Brasil
15.06.2024 15:33 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
O PSDB não tirava o sono do PT

O PSDB não tirava o sono do PT

Rodolfo Borges
15.06.2024 13:05 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
PL do aborto: ao acenar para oposição, Lira tirou o PT das cordas

PL do aborto: ao acenar para oposição, Lira tirou o PT das cordas

Wilson Lima
14.06.2024 19:11 3 minutos de leitura
Visualizar notícia

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.