Deputado pede acareação entre “Careca do INSS” e Eli Cohen na CPMI
Lobista disse que "o chamado Careca do INSS" seria um rótulo criado pelo advogado para induzir uma narrativa falsa contra ele
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) apresentou na quinta-feira, 25, um requerimento para que seja realizada uma acareação entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes – o “Careca do INSS” – e o advogado Eli Cohen na CPMI do INSS.
Cohen foi responsável pelas investigações particulares iniciais que culminaram na deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, e prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no dia 1º de setembro. Já Antônio Antunes, denunciado pelo advogado como o principal operador do esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, foi ouvido pelo colegiado na quinta-feira.
Na justificativa do requerimento de acareação, Paulo Pimenta afirma que é necessário que a CPMI “esclareça inconsistências e divergências entre depoimentos prestados por testemunhas e investigados”.
Ele ressalta que, em dia 1º de setembro, Cohen afirmou que teria descoberto o esquema de fraude no Instituto e que o Careca seria figura central em um dos núcleos, mas, ontem, Antunes disse que “o chamado Careca do INSS” seria um rótulo criado pelo advogado para induzir uma narrativa falsa contra ele, após tentativas frustradas de “extorsão”.
Pimenta afirma ainda que, ao responder às perguntas dos parlamentares na oitiva, o lobista mencionou diversas vezes Eli Cohen, contrariando o depoimento prestado pelo advogado.
“Assim, percebe-se que houve importantes divergências nos depoimentos prestados por autoridades a esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito e quanto a fatos centrais no escopo dos trabalhos. Desta forma, revela-se de grande relevância, para as investigações empreendidas pela CPMI, a acareação”, pontua.
O requerimento ainda precisa ser votado pela CPMI. Durante a oitiva na quinta, porém, o advogado de Antônio Antunes, Cleber Lopes, disse que o cliente aceita a acareação.
Depoimento do lobista
Em uma exposição inicial na comissão, negou que tenha tentado obstruir investigações da Operação Sem Desconto, defendeu a atuação de sua empresa Prospect e disse não ter relação com os descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
“O maior interessado no esclarecimento integral dos fatos sou eu e ainda assim fui submetido a uma medida extremamente grave [prisão preventiva], baseada em premissas absolutamente equivocadas”, declarou.
“No que diz respeito às circunstâncias que culminaram na decretação da minha prisão preventiva, gostaria de esclarecer, para que todos os brasileiros saibam, e para que essa versão também circule na mídia, que o indivíduo com quem mantive relações comerciais, insatisfeito, após reiteradas tentativas de extorsão frustradas e, inclusive, após ter furtado veículos de minha propriedade, fato esse devidamente registado na Polícia Civil de São Paulo, onde já houve decisão determinando a restituição dos bens, dirigiu-se à PF e apresentou uma série de inverdades”.
Ele prosseguiu: “Alegou falsamente que estaria tentando obstruir investigações da operação em desconto. Isso significa que as premissas que fundamentaram a minha prisão preventiva chegaram ao conhecimento do ministro André Mendonça de forma absolutamente equivocada e baseada em informações mentirosas. É preciso afirmar com toda a firmeza que jamais tentei obstruir qualquer investigação“.
Segundo o depoente, desde o início, constituiu uma defesa técnica, exatamente para manter diálogo constante com os órgãos de persecução.
“Desde a deflagração da Operação Sem Desconto, a mídia constituiu um personagem para tentar atribuir-me a responsabilidade por supostos crimes. Ocorre, entretanto, que tal narrativa não corresponde à verdade dos fatos, nem à minha verdade pessoal, nem àquela que muitos dos senhores aqui conhecem”, declarou.
Sobre a Prospect, pontuou que, desde sua criação, a empresa “sempre pautou sua atuação dentro dos limites da legalidade, com registros contábeis, transparentes, contratos formais e estrito cumprimento das obrigações fiscais e trabalhistas“.
Nunca foi, em suas palavras, “esse personagem fictício, o chamado ‘Careca do INSS’”. “Rótulo criado pelo senhor [advogado] Eli Cohen, que induziu pessoas de bem, veículos de comunicação respeitados, profissionais de imprensa e toda a sociedade em acreditar em uma narrativa fantasiosa”.
Narrativa esta, disse, “construída a partir de uma leitura superficial e de e-mails trocados entre duas entidades privadas”. “Tais senhores tiveram a coragem de comparecer perante esta CPMI para difamar, sem qualquer prova, instituições sérias, empresas idôneas, sindicatos, e o poder de polícia do estado de SP, o Deic, o Gaeco, e diversos empresários. Fizeram, ao meu ver, simplesmente porque não lograram êxito em seus verdadeiros objetivos, que, ao que tudo indica, tinham contornos de tentativa de extorsão”.
Em outro momento do depoimento, ele afirmou que só esteve em uma unidade do INSS na década de 1980, quando tinha 16 anos e era office boy. No Ministério da Previdência Social, teria estado em apenas duas ocasiões.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)