Presença de Barroso foi “extravagante”, diz ex-ministro do STF
Marco Aurélio Mello criticou ida do presidente da Corte à sessão que condenou Jair Bolsonaro
O ex-ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “algo extravagante” a presença do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, na sessão da Primeira Turma que condenou Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus.
Barroso, embora não integre a Primeira Turma, ocupou a cadeira destinada ao secretário e fez um discurso de encerramento da sessão de quinta, 11.
“Para mim, é algo extravagante. Ele ter afastado o secretário ou a secretária da turma e sentado ao lado do presidente da sessão na cadeira respectiva. Para mim é algo extravagante. Ainda bem que nós não tivemos palmas ao final do julgamento, mas ficará também na história do tribunal”, disse Mello ao Uol.
“Evidentemente, se o processo estivesse no plenário, ele teria presidido a sessão. Agora, ele comparecer à sessão e tomar o assento, que é o assento destinado ao secretário da turma, é um passo demasiadamente largo e que eu não daria jamais”, acrescentou.
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Discurso de Barroso
Leia a íntegra:
“Prezado presidente dessa turma, ministro Cristiano Zanin, prezada ministra Cármen Lúcia, prezados ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, eu não participei do julgamento por não integrar a primeira turma e, portanto, não cabe a mim fazer qualquer juízo de mérito, mas fiz questão de estar aqui no encerramento desse julgamento simbólico, representando a presidência do tribunal.
E, nessa condição, eu gostaria de cumprimentar o procurador-geral da República, professor Paulo Gustavo Gonet Branco, pelo trabalho meticuloso e criterioso que desenvolveu como titular da ação penal.
Gostaria de cumprimentar o presidente da turma, ministro Cristiano Zanin, pela organização e condução impecáveis desse julgamento e, sobretudo, ao relator, o ministro Alexandre de Moraes, pelo trabalho hercúleo que desenvolveu ao longo dos anos, na preparação desse julgamento paradigmático, divisor de águas na história do Brasil.
E quero aqui repetir uma vez mais: tratou-se de um julgamento público, transparente, com o devido processo legal, baseado em provas das mais diversas: vídeos, textos, mensagens, confissões.
As compreensões contrárias fazem parte da vida, mas só o desconhecimento profundo dos fatos ou uma motivação descolada da realidade encontrará neste julgamento algum tipo de perseguição política.
A vida, no entanto, é plural, assim como também é este tribunal. E por essa razão, não quero deixar de manifestar respeito e compreensão pela posição divergente. Pensamento único só existe nas ditaduras.
Na vida democrática, antes da ideologia, antes das escolhas legítimas e das diferentes visões de mundo, tem de existir o compromisso com as regras do jogo, com as instituições e com o respeito aos resultados eleitorais. Essa é a mensagem mais importante desse julgamento.
Concluo, portanto: o tribunal cumpriu missão importante e histórica de julgar com base em evidências às quais todos têm acesso, importantes autoridades civis e militares pela tentativa de golpe de Estado.
Ninguém sai hoje daqui feliz, mas a gente deve cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida nos dá. E é por isso mesmo que eu estou aqui.
Acredito que nós estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional.
Sou convencido de que algumas incompreensões de hoje irão se transformar em reconhecimento no futuro.
E desejo, muito sinceramente, que estejamos virando uma página da vida brasileira e que possamos reconstruir relações, pacificar o país e trabalharmos por uma agenda comum verdadeiramente patriótica, com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade.
Que possamos iniciar uma Era de boa fé, boa vontade, justiça e prosperidade para todos.
Por delegação do presidente da turma, Cristiano Zanin, eu declaro encerrada esta sessão.
Muito obrigado a todos.”
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Comentários (6)
FRANCISCO JUNIOR
13.09.2025 00:14Concordo com a crítica do Marco Aurélio. E discordo de muita coisa que ele fez, como libertar traficantes, forçar a barra para acabarem com a prisão em segunda instância, etc. . Não acho que ninguém é 100% errado ou certo, tento analisar cada caso.
Roberval
12.09.2025 22:35Luiz Roberto "Vaidoso". Também cantor.
Emerson
12.09.2025 21:48Encontraram o André do Rap ?
Luis Eduardo Rezende Caracik
12.09.2025 19:30O Ex ministro, que deveria ser exemplo, mais uma vez mostra um grande desrespeito ao STF com seu comentários. Deveria se espelhar em outros ex ministros como Celso de Mello, Rosa Weber e Ayres Britto que jamais criticaram e ouso dizer criticariam a instituição.
Angelo Sanchez
12.09.2025 18:33Barroso pode ser considerado um Ministro político, isto é o mesmo que lixo do Judiciário.
Luis Eduardo Rezende Caracik
12.09.2025 17:51O agora ex ministro pavão não perde a oportunidade de ficar quieto. Ontem mesmo tomou uma tremenda indireta devido às suas críticas ao STF. Merecida, a meu ver.