Presença de Barroso foi “extravagante”, diz ex-ministro do STF

24.06.2026

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Presença de Barroso foi “extravagante”, diz ex-ministro do STF

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 12.09.2025 17:37 comentários
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Presença de Barroso foi “extravagante”, diz ex-ministro do STF

Marco Aurélio Mello criticou ida do presidente da Corte à sessão que condenou Jair Bolsonaro

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4 minutos de leitura 12.09.2025 17:37 comentários 6
Presença de Barroso foi “extravagante”, diz ex-ministro do STF
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ex-ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “algo extravagante” a presença do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, na sessão da Primeira Turma que condenou Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus.

Barroso, embora não integre a Primeira Turma, ocupou a cadeira destinada ao secretário e fez um discurso de encerramento da sessão de quinta, 11.

“Para mim, é algo extravagante. Ele ter afastado o secretário ou a secretária da turma e sentado ao lado do presidente da sessão na cadeira respectiva. Para mim é algo extravagante. Ainda bem que nós não tivemos palmas ao final do julgamento, mas ficará também na história do tribunal”, disse Mello ao Uol.

“Evidentemente, se o processo estivesse no plenário, ele teria presidido a sessão. Agora, ele comparecer à sessão e tomar o assento, que é o assento destinado ao secretário da turma, é um passo demasiadamente largo e que eu não daria jamais”, acrescentou.

Leia também: Ex-ministro aponta erro de Moraes, mas descarta “regime de exceção”

Discurso de Barroso

Leia a íntegra:

“Prezado presidente dessa turma, ministro Cristiano Zanin, prezada ministra Cármen Lúcia, prezados ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, eu não participei do julgamento por não integrar a primeira turma e, portanto, não cabe a mim fazer qualquer juízo de mérito, mas fiz questão de estar aqui no encerramento desse julgamento simbólico, representando a presidência do tribunal.

E, nessa condição, eu gostaria de cumprimentar o procurador-geral da República, professor Paulo Gustavo Gonet Branco, pelo trabalho meticuloso e criterioso que desenvolveu como titular da ação penal.

Gostaria de cumprimentar o presidente da turma, ministro Cristiano Zanin, pela organização e condução impecáveis desse julgamento e, sobretudo, ao relator, o ministro Alexandre de Moraes, pelo trabalho hercúleo que desenvolveu ao longo dos anos, na preparação desse julgamento paradigmático, divisor de águas na história do Brasil.

E quero aqui repetir uma vez mais: tratou-se de um julgamento público, transparente, com o devido processo legal, baseado em provas das mais diversas: vídeos, textos, mensagens, confissões.

As compreensões contrárias fazem parte da vida, mas só o desconhecimento profundo dos fatos ou uma motivação descolada da realidade encontrará neste julgamento algum tipo de perseguição política.

A vida, no entanto, é plural, assim como também é este tribunal. E por essa razão, não quero deixar de manifestar respeito e compreensão pela posição divergente. Pensamento único só existe nas ditaduras.

Na vida democrática, antes da ideologia, antes das escolhas legítimas e das diferentes visões de mundo, tem de existir o compromisso com as regras do jogo, com as instituições e com o respeito aos resultados eleitorais. Essa é a mensagem mais importante desse julgamento.

Concluo, portanto: o tribunal cumpriu missão importante e histórica de julgar com base em evidências às quais todos têm acesso, importantes autoridades civis e militares pela tentativa de golpe de Estado.

Ninguém sai hoje daqui feliz, mas a gente deve cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida nos dá. E é por isso mesmo que eu estou aqui.

Acredito que nós estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional.

Sou convencido de que algumas incompreensões de hoje irão se transformar em reconhecimento no futuro.

E desejo, muito sinceramente, que estejamos virando uma página da vida brasileira e que possamos reconstruir relações, pacificar o país e trabalharmos por uma agenda comum verdadeiramente patriótica, com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade.

Que possamos iniciar uma Era de boa fé, boa vontade, justiça e prosperidade para todos.

Por delegação do presidente da turma, Cristiano Zanin, eu declaro encerrada esta sessão.

Muito obrigado a todos.”

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Comentários (6)

FRANCISCO JUNIOR

13.09.2025 00:14

Concordo com a crítica do Marco Aurélio. E discordo de muita coisa que ele fez, como libertar traficantes, forçar a barra para acabarem com a prisão em segunda instância, etc. . Não acho que ninguém é 100% errado ou certo, tento analisar cada caso.


Roberval

12.09.2025 22:35

Luiz Roberto "Vaidoso". Também cantor.


Emerson

12.09.2025 21:48

Encontraram o André do Rap ?


Luis Eduardo Rezende Caracik

12.09.2025 19:30

O Ex ministro, que deveria ser exemplo, mais uma vez mostra um grande desrespeito ao STF com seu comentários. Deveria se espelhar em outros ex ministros como Celso de Mello, Rosa Weber e Ayres Britto que jamais criticaram e ouso dizer criticariam a instituição.


Angelo Sanchez

12.09.2025 18:33

Barroso pode ser considerado um Ministro político, isto é o mesmo que lixo do Judiciário.


Luis Eduardo Rezende Caracik

12.09.2025 17:51

O agora ex ministro pavão não perde a oportunidade de ficar quieto. Ontem mesmo tomou uma tremenda indireta devido às suas críticas ao STF. Merecida, a meu ver.


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