Estamos “encerrando ciclos do atraso”, “marcados pelo golpismo”, diz Barroso
Presidente do STF fez discurso de encerramento da sessão de julgamento de Bolsonaro. Leia a íntegra
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, fez um discurso de encerramento do julgamento da ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus pela trama golpista após as eleições de 2022.
Leia a íntegra:
“Prezado presidente dessa turma, ministro Cristiano Zanin, prezada ministra Cármen Lúcia, prezados ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, eu não participei do julgamento por não integrar a primeira turma e, portanto, não cabe a mim fazer qualquer juízo de mérito, mas fiz questão de estar aqui no encerramento desse julgamento simbólico, representando a presidência do tribunal.
E, nessa condição, eu gostaria de cumprimentar o procurador-geral da República, professor Paulo Gustavo Gonet Branco, pelo trabalho meticuloso e criterioso que desenvolveu como titular da ação penal.
Gostaria de cumprimentar o presidente da turma, ministro Cristiano Zanin, pela organização e condução impecáveis desse julgamento e, sobretudo, ao relator, o ministro Alexandre de Moraes, pelo trabalho hercúleo que desenvolveu ao longo dos anos, na preparação desse julgamento paradigmático, divisor de águas na história do Brasil.
E quero aqui repetir uma vez mais: tratou-se de um julgamento público, transparente, com o devido processo legal, baseado em provas das mais diversas: vídeos, textos, mensagens, confissões.
As compreensões contrárias fazem parte da vida, mas só o desconhecimento profundo dos fatos ou uma motivação descolada da realidade encontrará neste julgamento algum tipo de perseguição política.
A vida, no entanto, é plural, assim como também é este tribunal. E por essa razão, não quero deixar de manifestar respeito e compreensão pela posição divergente. Pensamento único só existe nas ditaduras.
Na vida democrática, antes da ideologia, antes das escolhas legítimas e das diferentes visões de mundo, tem de existir o compromisso com as regras do jogo, com as instituições e com o respeito aos resultados eleitorais. Essa é a mensagem mais importante desse julgamento.
Concluo, portanto: o tribunal cumpriu missão importante e histórica de julgar com base em evidências às quais todos têm acesso, importantes autoridades civis e militares pela tentativa de golpe de Estado.
Ninguém sai hoje daqui feliz, mas a gente deve cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida nos dá. E é por isso mesmo que eu estou aqui.
Acredito que nós estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional.
Sou convencido de que algumas incompreensões de hoje irão se transformar em reconhecimento no futuro.
E desejo, muito sinceramente, que estejamos virando uma página da vida brasileira e que possamos reconstruir relações, pacificar o país e trabalharmos por uma agenda comum verdadeiramente patriótica, com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade.
Que possamos iniciar uma Era de boa fé, boa vontade, justiça e prosperidade para todos.
Por delegação do presidente da turma, Cristiano Zanin, eu declaro encerrada esta sessão.
Muito obrigado a todos.”
Confira um resumo das penas aplicadas pelo STF:
- Jair Bolsonaro: 27 anos e 3 meses de prisão;
- Walter Braga Netto: 26 anos de prisão, em regime inicial fechado;
- Anderson Torres: 24 anos de prisão e perda do cargo na Polícia Federal;
- Almir Garnier: 24 anos de prisão;
- Augusto Heleno: 21 anos de prisão;
- Paulo Sérgio Nogueira: 19 anos de prisão;
- Alexandre Ramagem: 16 anos e 1 mês de prisão, com perda do mandato de deputado federal e do cargo na Polícia Federal;
- Mauro Cid: 2 anos de prisão em regime aberto;
Além das penas de prisão, o STF também:
Aplicou multa solidária de 30 milhões de reais a todos os condenados do 8/1.
Determinou envio de ofício ao Superior Tribunal Militar (STM) para aplicação da declaração de indignidade para o oficialato de Jair Bolsonaro, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier por terem condenação superior a 2 anos.
No caso de Mauro Cid, o STF isentou o envio de ofício devido à pena ser inferior a 4 anos.
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Comentários (2)
Luiz Filho
12.09.2025 08:41Boquinha de veludo terá que se contentar com livrarias e festinhas pela África. No oriente médio seria executado e na Europa está sancionado.
Annie 40
12.09.2025 07:39Inocentes nao eram, mas houve excessos e atropelos. Nao vejo motivo para o regozijo do Barroso. Se tivessem agido com o mesmo rigor com os condenados da lava jato eu entenderia. Essa dissonancia é que da a sensacao de injustica