Justiça torna MC Poze do Rodo réu por tortura e extorsão
11ª Vara da Comarca aceitou a denúncia, mas rejeitou o pedido de prisão
A 11ª Vara Criminal da Comarca da Capital do Rio de Janeiro aceitou nesta sexta, 1º, a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) e tornou réu Marlon Brendon Coelho Couto, o MC Poze do Rodo, e outras seis pessoas por tortura e extorsão mediante sequestro do ex-empresário Renato Medeiros. Outros três envolvidos viraram réus por falso testemunho.
A Justiça, contudo, negou o pedido de prisão.
Na denúncia, o MP acusa Poze e seus amigos de atuarem, de forma coordenada, om uso de violência física, para obrigar Renato a confessar que teria roubado uma joia do cantor. O empresário, contudo, nega as acusações.
As investigações da 42ª DP (Recreio) apontaram que Renato foi espancado com chutes, socos e com uso de uma arma artesanal feita com madeira e pregos. Além disso, Renato teria sido queimado com cigarros acesos.
A defesa de Poze afirmou que a inocência do cliente ficará provada no curso do processo:
“O pedido de prisão preventiva foi indeferido. A decisão que recebeu a denúncia é a mesma que afasta por completo o inusitado e incabível pedido de prisão preventiva para quem, desde sempre, respeita de forma incontestável todas as decisões do Poder Judiciário. Confiamos que ao fim deste processo a Justiça será feita e Marlon será inocentado de todas as acusações.”
Prisão e habeas corpus
Poze do Rodo já havia sido preso, em 29 de maio, em sua casa no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Ele foi acusado de apologia ao tráfico de drogas e envolvimento com a organização criminosa Comando Vermelho (CV).
As autoridades afirmaram que o MC faz shows exclusivamente em áreas controladas pelo Comando Vermelho, com presença ostensiva de traficantes armados que atuam como seguranças dos eventos.
Além disso, a polícia indicou que esses eventos são usados pela facção para gerar lucro com a venda de drogas e financiar a compra de armas e equipamentos para a prática de crimes.
Um dos elementos usados pela polícia para justificar o pedido de prisão foi um vídeo de um show realizado em 17 de maio, na Cidade de Deus. No registro, Poze canta músicas que exaltam chefes do Comando Vermelho, enquanto um homem armado com fuzil grava a apresentação.
Dois dias depois, no mesmo local, o policial civil José Antônio Lourenço, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), foi morto com um tiro na cabeça.
O desembargador Peterson Barroso, da Primeira Vara Criminal de Jacarepaguá, concedeu habeas corpus a Poze, em 2 de junho.
“O alvo da prisão não deve ser o mais fraco – o paciente, e sim os comandantes de facção temerosa, abusada e violenta, que corrompe, mata, rouba, pratica o tráfico, além de outros tipos penais em prejuízo das pessoas e da sociedade”, diz trecho da decisão proferida.
No despacho, o magistrado citou a falta de punição aos responsáveis pelo esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, enquanto, segundo ele, “prende-se um jovem que trabalha cantando e ganhando seu pão de cada dia”.
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