Bolsonaro assiste ao filho se “sacrificar” por sua causa; será mesmo?
Porém, tal sacrifício, obviamente, não é desinteressado nem muito menos não calculado
Eu adoro filmes e adoro cinema (como arte). Não sou especialista ou estudioso, apenas um cinéfilo – hoje, bem menos que há alguns anos. “Nenhum pai deveria ter de enterrar um filho”, disse o Rei Théoden, de Rohan, em O Senhor dos Anéis. Sim. Nada mais triste do que isso. E inaceitável sob a ótica de um quase ateu ou mesmo à luz de divindades tidas como justas, que amam seus fieis. Enfim…
Lembrei-me da frase porque, ao ler um texto do Felipe Moura Brasil, de O Antagonista, me veio à mente um pensamento: “Nenhum pai deveria amar a si mesmo mais que a um filho”. Porém, não era de se esperar nada diferente de um pai que já disse: “Prefiro um filho morto a um herdeiro gay”. O pai, no caso, é Jair Messias Bolsonaro. Aquele que assiste a um filho se “sacrificar” em sua defesa.
Bem, vocês notaram as aspas, né? Porque tal sacrifício, obviamente, não é desinteressado nem muito menos não calculado. Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos atuando como um kamikaze político, mas mira uma liderança política que não tem e, sobretudo, sabe que, na pior das hipóteses, está com “o futuro garantido”.
Anistia ou morte
Nem o mais ingênuo e fanático bolsominion acredita que Dudu Bananinha não queira – se poderá são outros quinhentos – se candidatar ao Senado ou mesmo à Presidência da República em 2026. Assim como, ninguém imagina que ou não tenha muito dinheiro guardado ou não tenha planos B, C e D para o sustento da família.
Contudo, independentemente destas hipóteses, é certo que Eduardo Bolsonaro abdicou de uma posição confortável, no Brasil, para – como ele mesmo afirmou – dar um “all in” contra o Supremo Tribunal Federal (STF), notadamente o ministro Alexandre de Moraes e, literalmente, contra o próprio Brasil.
Ao conspirar contra a economia do país, dizendo-se o causador de parte do tarifaço de Trump contra o Brasil; ao tentar obstruir e coagir a Justiça no curso do processo contra seu pai, Jair Bolsonaro; e ao investir contra aliados políticos, o bolsokid 03 cava sua própria cova política e torna-se quase um pária da sociedade.
Que pai é esse?
É inconcebível a qualquer pai e mãe, incondicionalmente amorosos e protetores, a exposição do próprio filho ao mínimo perigo, quiçá algo dessa magnitude e repercussão. Que pai e mãe – incondicionalmente amorosos e protetores – desejariam ver a cria alijada do próprio país, ou até mesmo, no futuro, sob risco de prisão?
Durante a pandemia do coronavírus, Jair Bolsonaro deu mostras de psicopatia em grau extremo. Frases e atitudes potencialmente homicidas, como “Um dia todo mundo morre” ou “Se morrer, morreu”, e motociatas e outras aglomerações sem uso de máscara, reforçaram a nefasta personalidade psíquica do “mito”.
Por isso, se não surpreende sua aquiescência ao comportamento do pimpolho insano, também não deixa de ser espantoso. A paternidade é algo tão incrivelmente belo, que chega a ser um desperdício uma relação doentia assim. Ambos, Eduardo e Jair, perderam uma oportunidade ímpar de se amarem incondicional e desinteressadamente – em paz e em segurança.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Joaquim Arino Durán
03.08.2025 17:53Assim como Bob pai e Bob filho, são dois cachorros.
FRANCISCO JUNIOR
01.08.2025 23:04Quando a coisa apertar, um vai alegar, em relação ao outro: "não tenho nada a ver com a atitude dele"