‘Tarifaço’ pode fazer inadimplência nos condomínios explodir
Com multa de 2% e juros de 1% ao mês, condomínio perde prioridade diante de cartões de crédito e financiamentos com juros altos
Os condomínios brasileiros já enfrentam um problema crônico: a inadimplência.
Em alguns empreendimentos, o índice ainda é administrável, próximo de 5%. Mas em muitos, especialmente de classe média, a taxa disparou para 17% e até 21% em estados como o Rio de Janeiro.
O resultado é inevitável: obras paradas, manutenção precária, aumento de cotas extras e desvalorização dos imóveis.
Quem paga em dia acaba sustentando quem deixa a conta para depois.
‘Tarifaço’
Com a proposta de Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras para os EUA, o Brasil pode enfrentar um novo choque econômico.
Isso significa menos competitividade para o país, inflação pressionada, juros altos por mais tempo e, claro, famílias com menos dinheiro para honrar dívidas básicas.
E aqui está o ponto central: a cota condominial é uma dívida barata.
Com multa de 2% e juros de 1% ao mês, ela perde prioridade diante de cartões de crédito e financiamentos com juros muito mais altos.
Resultado? O condomínio vira a conta que todo mundo deixa para pagar depois.
O alerta de quem entende
“Com um cenário macroeconômico ainda mais apertado, a inadimplência condominial deve disparar. As famílias priorizam dívidas mais caras e deixam a taxa de condomínio para o final. Sem gestão profissional, protesto extrajudicial e garantidoras de receita, muitos condomínios não vão ter fôlego para sobreviver”, diz Antonio Holanda, CEO do banco HR DIGITAL.
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Gestão amadora não tem mais espaço
Os síndicos e administradoras que ainda acreditam na cobrança “na base da conversa” vão assistir ao colapso das finanças condominiais.
A realidade é clara: quem não agir agora, vai ver o patrimônio coletivo desaparecer.
O uso de protestos extrajudiciais, régua de cobrança profissional e garantidoras de receita deixou de ser uma escolha e virou obrigação para manter os condomínios vivos.
O que vem pela frente
Se a multa por atraso for elevada de 2% para 10%, como já está em discussão, a lógica muda completamente.
Até lá, porém, o bom pagador continuará pagando a conta do mau pagador — e a super tarifa de Trump só vai acelerar esse processo.
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O relógio está correndo
A combinação de inadimplência crescente, crise macroeconômica e aumento dos custos condominiais é explosiva.
Se gestores e administradoras não assumirem uma postura firme, com estratégias modernas de cobrança e garantias de receita, o futuro será de sucateamento, cotas extras e imóveis desvalorizados.
Por Rafael Bernardes, CEO do Síndicolab, e Felipe Faustino, advogado no escritório Faustino & Teles
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