Mercado paulista de imóveis segue aquecido, mas em busca de ofertas
Demanda está alta e vendedores dão menos desconto, o que leva os compradores a buscar pechinchas – ou recorrer ao aluguel
O mercado de imóveis em São Paulo segue aquecido, mesmo diante da alta de juros, o que mostra um cenário paradoxal que, ao que tudo indica, pode se tornar um “novo normal” ao longo dos próximos tempos.
Segundo a pesquisa mensal do Creci-SP, o conselho regional dos corretores de imóveis, o volume de vendas cresceu 16,2% em abril, em relação a março, enquanto o volume de aluguéis avançou 7,54%.
O levantamento, ouviu 1.732 imobiliárias no estado inteiro, e por isso mostra um retrato que de certa forma representa comportamentos comuns a todo o mercado nacional.
Demanda sólida
O mercado residencial vem se expandindo, mostrando uma demanda sólida no alto padrão e, ao mesmo tempo, no segmento econômico. Assim como o mercado comercial, que segue puxado pela intensificação das atividades presenciais, uma tendência que continua forte.
O levantamento mensal da FipeZAP mostrou que, em abril, os preços de aluguéis de escritórios e lajes também continuaram subindo, sendo que a valorização das locações foi mais acelerada do que o aumento do valor de venda dos imóveis.
São sinais de que a demanda segue forte, e nem mesmo os juros altos foram capazes de segurá-la. Assim, mesmo que os valores de venda não subam, os vendedores estão seguros para manter os preços.
Um dos indicadores mais fortes do aquecimento do mercado são os descontos médios no fechamento dos negócios. Em abril, 44,8% das vendas foram realizadas exatamente pelo valor anunciado – contra 41,9% seis meses antes.
Descontos de até 5% representaram outros 24,5% dos negócios, sendo que seis meses antes esse volume somava 27,8%.
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Efeito dos juros
O efeito dos juros aparece mesmo é na definição dos tipos de imóveis em negociação. A classe média, que depende de financiamento de bancos privados, anda visivelmente ausente do mercado de compra e venda.
O maior volume de compradores está na faixa econômica, com imóveis de 2 dormitórios de valores entre 200 mil reais e 300 mil reais, e área de 50 m2 até no máximo 100m2. Os financiamentos são em sua maioria pela Caixa (49%).
A outra faixa aquecida é a do alto padrão, dentro do qual fica boa parte do total das vendas à vista (17,4%). No primeiro trimestre do ano, apenas na cidade de São Paulo, os imóveis com preço acima de R$ 2 milhões somaram vendas de R$ 4,6 bilhões, um crescimento de 21% sobre o mesmo período do ano anterior.
Não por coincidência, a imensa maioria dos empreendimentos lançados nos últimos meses se enquadram nos dois extremos do mercado – o alto padrão e o Minha Casa Minha Vida.
Mesmo assim, grande parte dos lançamentos de maior valor têm migrado para bairros fora dos tradicionais Jardins e Itaim, onde é possível construir unidades com áreas maiores, mantendo os retornos dos incorporadores, ainda assim com preços que encontrarão comprador.
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