Vamos buscar a defesa do setor produtivo em missão aos EUA, diz Tereza Cristina
Senadora e ex-ministra do governo Bolsonaro faz parte de grupo de parlamentares que vai aos EUA discutir o "tarifaço"
A líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), comentou nesta sexta-feira, 25, em publicação no X, sobre a viagem que fará a Washington com outros sete parlamentares, neste fim de semana, para discutirem com autoridades locais sobre a decisão do governo americano de impor tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros.
Na capital dos EUA, o grupo terá reuniões sobre o tema também com empresários, especialistas em comércio internacional e representantes de organismos multilaterais. O objetivo dos senadores é tentar reverter a medida.
“Estou indo aos Estados Unidos pessoalmente para tentar retomar um diálogo essencial que foi interrompido. A diplomacia legislativa do Senado fará sua parte! Pela Comissão de Relações Exteriores, da qual sou vice-presidente, vamos buscar a defesa do nosso setor produtivo e dos empregos“, escreveu Tereza Cristina no X.
“É missão do nosso mandato tentar proteger os brasileiros das consequências de uma taxação exagerada e injusta, que prejudicará todos, sem exceção. Mantenho minhas convicções e sempre trabalharei para negociar e reconstruir pontes. É esse o nosso dever cívico”, complementou.
A senadora foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e é aliada do político. Outro ex-ministro de Bolsonaro e aliado dele também integra o grupo que vai aos EUA: o senador Marcos Pontes (PL-SP).
Mesmo assim, na última terça-feira, 22, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, criticou a iniciativa dos senadores. De acordo com o congressista, ela está “fadada ao fracasso”.
“Diante da formação de uma comitiva de senadores brasileiros que pretende vir aos Estados Unidos para tratar da Tarifa-Moraes imposta pelo presidente Trump, registro de forma categórica e inequívoca que tais parlamentares não falam em nome do Presidente Jair Bolsonaro”, escreveu no X.
“Essa iniciativa me parece seguir o padrão de sempre: políticos que visam adiar o enfrentamento dos problemas reais, vendendo a falsa ideia de uma ‘vitória diplomática’ enquanto ignoram o cerne da questão institucional brasileira”.
Eduardo também alegou que a tentativa do senadores desconsidera a carta enviada por Donald Trump sobre os “caminhos que o Brasil deve percorrer” para “restaurar a normalidade democrática“.
Lei de Reciprocidade como “ferramenta de defesa”
No último dia 15 de julho, Tereza Cristina afirmou que a Lei da Reciprocidade Econômica, do Brasil, deve ser usada em “último recurso, quando todos os caminhos diplomáticos forem esgotados”. Ela foi relatora do projeto que deu origem à norma.
Segundo a congressista, a lei foi criada como uma “ferramenta de defesa, e não de confronto”. Tereza defendeu ainda que o Brasil e os Estados Unidos sentem-se à mesa para evitar consequências negativas para as respectivas economias.
“Eu tenho deixado claro e eu quero aqui nesta audiência, senador Nelsinho [Trad], deixar claro que essa lei não foi criada pensando nos Estados Unidos. Ela foi elaborada para dar ao Brasil um instrumento firme de negociação diante das práticas discriminatórias que já enfrentamos, especialmente no ano passado, no âmbito da União Europeia”, pontuou.
“Então ela é uma ferramenta de defesa, e não de confronto. E ela deve ser usada com responsabilidade, como último recurso, quando todos os caminhos diplomáticos forem esgotados. E nesse caso, com os Estados Unidos”.
A Lei da Reciprocidade foi aprovada pelo Congresso em abril. A norma indica medidas protecionistas que podem ocasionar contramedidas do governo brasileiro.
Entre as medidas protecionistas que o texto elenca, estão interferência em escolhas soberanas do Brasil por meio de adoção de medidas comerciais unilaterais; violação de acordos comerciais; e exigência de requisitos ambientais mais onerosos do que os parâmetros, normas e padrões de proteção ambiental adotados pelo Brasil.
Já entre as contramedidas que autoriza o Executivo a adotar, estão imposição de tributos sobre importações de bens ou serviços de um país, a suspensão de concessões comerciais ou de investimentos e a suspensão de concessões relativas a direitos de propriedade intelectual.
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