Deputado quer comissão externa para discutir tarifaço com governo dos EUA
Ronaldo Nogueira ressalta que a taxação de 50% dos EUA a produtos brasileiros reduz receita de setores como agronegócio e aço
O deputado federal Ronaldo Nogueira (Republicanos-RS) protocolou nesta sexta-feira, 11, na Câmara, um requerimento de criação, em caráter de urgência, de uma comissão externa da Casa para tratar da decisão do governo americano de impor tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros.
A ideia é que o colegiado discuta o tema com o governo brasileiro, para que o Executivo mantenha postura de “prudência e serenidade” diante do episódio, e com o governo dos Estados Unidos, para que reavalie a decisão “em consideração à cooperação histórica entre os dois países“.
A comissão também buscaria apoio do Congresso americano ao pedido para que o governo americano recue da imposição das tarifas. Ronaldo Nogueira propõe que o colegiado tenha oito membros e funcione por 90 dias.
“A taxação de 50% dos Estados Unidos a produtos brasileiros afeta exportações, reduz receita de setores como agronegócio e aço, gera insegurança comercial e pode impactar o crescimento econômico“, pontua o parlamentar na justificativa do requerimento.
“A política externa é, por definição, um campo que exige equilíbrio, pragmatismo e capacidade de negociação. Quando essa área estratégica se torna refém do radicalismo ideológico, as consequências podem ser severas – como foi o caso da taxação imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros”.
Ainda segundo Nogueira, em tempos de globalização e interdependência, “o Brasil precisa de uma política externa madura, centrada em princípios e não em polarizações”. “O episódio da taxação americana contra produtos brasileiros mesmo diante de uma suposta amizade mostra que sem diálogo e pragmatismo, o país fica vulnerável“.
O parlamentar afirma ser urgente o Brasil retome o papel de protagonista global, com uma diplomacia aberta ao mundo, mas firme na defesa de seus interesses. “O extremismo político deve ceder espaço a uma postura responsável e construtiva, que privilegie a diplomacia, a negociação e o respeito à diversidade de visões no cenário Internacional”, conclui.
O requerimento ainda precisa ser votado pelo plenário da Câmara.
Posicionamento de Motta e Alcolumbre
Em nota conjunta divulgada na quinta-feira, 10, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmaram que a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas extras de 50% “deve ser respondida com diálogo nos campos diplomático e comercial“.
Segundo os parlamentares, “o Congresso Nacional acompanhará de perto os desdobramentos”. “Com muita responsabilidade, este Parlamento aprovou a Lei da Reciprocidade Econômica. Um mecanismo que dá condições ao nosso país, ao nosso povo, de proteger a nossa soberania”.
Eles prosseguiram: “Estaremos prontos para agir com equilíbrio e firmeza em defesa da nossa
economia, do nosso setor produtivo e da proteção dos empregos dos brasileiros”.
Na reunião de líderes da Câmara com Motta nesta quinta-feira, 10, segundo relatos de participantes, o presidente foi pressionado por lideranças governistas a se posicionar sobre a decisão dos Estados Unidos e disse que construiria uma nota com Alcolumbre.
A Lei da Reciprocidade citada pelo deputado e o senador na nota, foi aprovada pelo Congresso em abril. A norma indica medidas protecionistas que podem ocasionar contramedidas do governo brasileiro.
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