Pix Patriota: Bolsonaros e Zambelli atrás de seu dinheiro
O Pix Patriota é o retrato do bolsonarismo extremo: uma elite populista que prega o sacrifício alheio, mas vive de privilégios
Em março de 2025, Eduardo Bolsonaro se licenciou do cargo de deputado federal pelo PL de São Paulo e se mandou para os Estados Unidos para curtir a vida adoidado. Talvez lhe faltasse serviço em Banânia e sobrassem problemas em terras tupiniquins. Chamou de exílio o que, na prática, é um período sabático no endinheirado estado do Texas, regado a piscina, churrasco e postagens ensolaradas, principalmente nas redes sociais de sua esposa, Heloísa, que ostenta uma vida visualmente confortável e emocionalmente distante de qualquer ideia de sacrifício patriótico.
Mas o teatro da vitimização fake exige coerência estética, e Jair Bolsonaro, o patriarca do clã das rachadinhas e das mansões milionárias em Brasília, que também enfrenta sua coleção de processos e multas, relançou, ainda que através de terceiros, no caso o ex-ministro sanfoneiro Gilson Machado, a versão 2.0 do “Pix Patriota”, espécie de crowdfunding da impunidade. Sim. Enquanto a esposa do Bananinha exibe roupas de grife, paisagens idílicas e cafés gourmet, o brasileiro comum é convocado a salvar a democracia e a liberdade de expressão via transferência bancária.
Já Carla Zambelli, que é boba pero no mucho, não ficou atrás. Condenada a dez anos de tranca por armar contra a Justiça em conluio com o hacker Delgatti, também aderiu à campanha da mendicância cívica-digital. Em vez de arcar com os custos das consequências de seus atos, preferiu terceirizar o prejuízo ao eleitor. A tática é simples: com a retórica do “sistema nos persegue”, quer convencer uma parcela da população de que doar dinheiro para seus advogados e multas é um gesto de grandeza patriótica. O pior é que há quem concorde e doe, mas fazer o quê, né?
Ei, você aí, me dá um dinheiro aí
A perversão dessa gente não está apenas no pedido de dinheiro; está também na inversão de papeis e, literalmente, de valores. Em vez de prestarem contas de seus atos, regiamente remunerados pela população, cobram fidelidade financeira. Em vez de assumirem os BO’s do que fizeram, querem que o “eleitor otário” pague por eles. E mais: suplicam os tostões alheios enquanto desfrutam de uma vida pra lá de confortável, com deslocamentos aéreos, hotéis e restaurantes caros, e redes sociais bastante ativas. Não há penitência alguma no way of life bolsonarista. Há vitrine, isso sim.
O Pix Patriota é o retrato final do bolsonarismo extremo: uma elite populista que prega o sacrifício alheio, vive de privilégios e se recusa a enfrentar a realidade como adultos e responsáveis por seus próprios atos. Bancar o luxo com a fé dos crédulos já virou método religioso faz tempo. É a fé transformada em caixa eletrônico. Bolsonaro e Zambelli apenas mudam de terreno – das igrejas para as urnas. É a turma que critica o Bolsa Família, chamando-o de Bolsa Esmola, pedindo o Bolsa Anistia. Como diria Cazuza sobre um maior abandonado: “Raspas e restos me interessam.”
Se há algo de revolucionário nisso, é a eficiência com que transformaram seus problemas em doações, culpa em heroísmo e seguidores em financiadores da própria enganação. O patriotismo deixou de ser uma ideia para se tornar conta bancária. O dinheiro é de cada um, claro, e o indivíduo faz com ele o que achar melhor e bem entender. Inclusive doá-lo a embusteiros políticos. Até porque, o Brasil já viu muito estelionato político antes, e este não será o último. A diferença, talvez, esteja somente na forma. É o primeiro feito via QR Code. Quem sabe Nikolas Ferreira não grave um vídeo a respeito?
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Comentários (2)
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
19.05.2025 17:32Devem aproveitar a grana arrecadada e comprar bastante óleo de peroba....
Fabio B
19.05.2025 16:25Dois pilantras